Londrina – Pais de alunos e funcionários do Centro de Educação Infantil da Universidade Estadual de Londrina (UEL) fizeram uma manifestação no campus da universidade para reivindicar a contratação de, pelo menos, 15 profissionais. O atendimento as mais de 200 crianças permaneceu suspenso durante a manhã nas unidades do campus e do Hospital Universitário (HU). Faixas e um carro de som foram utilizados no protesto para explicar o descontentamento com o governo do Estado.
A mobilização organizada pelo Sindicato dos Servidores Públicos Técnicos Administrativos da UEL (Assuel) reuniu, aproximadamente, 50 pessoas. A intenção era caminhar pelo calçadão do campus até o prédio da reitoria. No entanto, o reitor em exercício, Ludoviko dos Santos, foi até os manifestantes para apresentar uma proposta emergencial.
Conforme Santos, a universidade aguarda um posicionamento do governo do Estado para que possam ser realizadas novas contratações. "Esperávamos, pelo menos, três nomeações de pedagogos para a UEL, além de outras duas nomeações que estão em curso. Porém, a expectativa é que isso ocorra até abril do ano que vem. Como medida emergencial, estamos propondo a contratação de três assessores para auxiliar os trabalhos nas duas unidades. Isso seria possível", explicou Santos.
Com a falta do repasse de recursos do Estado para a UEL, a administração tenta manter os serviços essenciais. "Esperamos a liberação de novos recursos na semana que vem. Precisamos aguardar", ponderou. Os manifestantes decidiram formalizar a reivindicação em um documento que será entregue ao governador Beto Richa na próxima semana. O governador cumprirá agenda em Londrina no dia 10 de dezembro, aniversário da cidade.
A creche atende somente filhos de funcionários da universidade que acompanham de perto as dificuldades financeiras da instituição. "Se o ensino superior não é prioridade para o governo, imagina a creche mantida pela universidade?", afirmou o técnico de assuntos universitários, Daniel Souza Correa, acompanhado das duas filhas.
Os pais temem que as unidades encerrem as atividades nos próximos anos. "A gente tem medo que o governo deixe cair tudo o que a gente levou anos para conquistar. É um descaso grande dentro da universidade e do HU. Faltam funcionários em todos os setores", declarou a servidora do setor de recursos humanos, Elaine Aparecida Ávila.
A CEI existente no campus foi fundada há 22 anos. A professora Jacqueline Aparecida Alves atua no local há 17 anos e contou que os funcionários sofrem com o acúmulo de função. "Há uns dez anos, eram cinco zeladores, hoje temos só um. Eram três cozinheiras, hoje também só temos uma. Nós trabalhamos 8 horas por dia e precisamos de mais professores para nos ajudar", argumentou Jacqueline.
A chefe da Divisão de Educação Infantil da UEL, Keli Cristina Ferreira, informou que dos 24 professores concursados, cinco estão em licença médica. Outros oito assessores atuam de forma emergencial e mais de 20 estagiários devem auxiliar a equipe até o fim deste mês. "A situação se agravou desde o final de setembro. Por isso, havíamos decidido abrir apenas quatro vagas no ano que vem na unidade do campus para o EI1 (bebês de 6 meses a 1 ano) e outras cinco vagas na unidade do HU. Se houver a contratação dos três assessores especiais sugeridos de forma emergencial, vamos conseguir abrir as 14 vagas no campus e as 15 vagas no HU", explicou Keli. No entanto, não foram mencionados prazos para as nomeações.
O atendimento nas duas sedes foi normalizado na tarde de ontem. As poucas vagas são disputadas por centenas de servidores da UEL que deixam os nomes na fila de espera.

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