Após nove anos, Universidade Aberta à Terceira Idade pode reabrir em Londrina


Vitor Ogawa - Grupo Folha
Vitor Ogawa - Grupo Folha

A UEL (Universidade Estadual de Londrina) pretende reativar a Unati (Universidade Aberta à Terceira Idade), que está desativada desde 2011. A pró-reitora de extensão, cultura e sociedade da UEL, Mara Solange Gomes Dellaroza, revelou que a estruturação do projeto e o cronograma de atividades devem ser fechados neste mês para a reativação da Unati em Londrina.


Após nove anos, Universidade Aberta à Terceira Idade pode reabrir em Londrina
Gustavo Carneiro
 


“No começo do ano será realizada a capacitação de docentes e a inscrição dos alunos e, dependendo desse caminhar, em maio ou junho começamos as aulas, ou seja, estaremos em atividade no segundo semestre”, aponta. “A equipe está estruturando as atividades nas áreas da saúde, assistência social, lazer e esporte, educação física, línguas, artes e rádio. Inicialmente são essas áreas em que estamos propondo ações, mas futuramente pretendemos disseminar o convite para outras áreas”, destaca Dellaroza.




Ela afirma que a expectativa pela reativação é enorme. “O nosso grupo de professores, que possui expertise na área de envelhecimento, quer desenvolver várias alternativas para os idosos visando estimular a cidadania e autonomia deles na sociedade”, enaltece.


Os cursos serão gratuitos, mas as vagas são limitadas. “Algumas pessoas deverão ter o mínimo de proatividade na inscrição pela limitação de vagas de alguns cursos”, aponta. Ela afirma que se o aluno tiver interesse para a obtenção de certificados específicos haverá taxa regulada pela UEL.


Pelo projeto, a capacidade da Unati será de atender 903 idosos. “Mas esse número pode chegar a 1000 pessoas atendidas diretamente pelas atividades propostas. Teremos turmas de estudo de línguas, como o espanhol. Teremos atividades também para os idosos que queiram se envolver com atividades físicas ou de estilo de vida ativo e saudável”, enumera. Uma das atividades será a geração de um programa de rádio produzido pelos próprios idosos e a locução também será assumida por eles. 


Atualmente cerca de 1,2 mil idosos participam das atividades oferecidas pelas Universidade da Terceira Idade no Paraná. O programa, que oferece às pessoas com mais de 55 anos de idade a possibilidade de uma educação continuada associada a atividades culturais e de lazer, é desenvolvido pelas universidades estaduais com recursos do Governo do Estado.


Conforme a Unati se reorganizar e acolher os idosos, o objetivo é avançar para todas as áreas e cursos da UEL. “Esse é um processo gradativo. Hoje temos sete docentes diretamente vinculados à Unati e se dispuseram efetivamente a apresentar proposta de atividades. Esse número pode ser maior ainda, conforme forem abertos projetos vinculados à Unati”, destaca. 



Ex-aluna elogia programa


A professora aposentada Thereza Bertoldi, 72, era uma das ex-alunas da Unati da UEL antes do programa ser encerrado dez anos atrás em Londrina.  “Eu fazia aulas de educação física, natação, atletismo, alongamento, destreza. Fazíamos exercícios para melhorar a agilidade e para ativar a memória. Era gostoso e divertido. Fazíamos curso de moda, patchwork etc”, destaca. Ela se recorda também das palestras. “Me lembro de uma, com pessoal de Agronomia, sobre plantas. Foi muito boa”, destaca. Ela relata que o convívio com os colegas também era bastante intenso. “Nós trocávamos receitas, compartilhávamos dica de como fazer bordados. Eu não perdia uma aula. Se a Unati voltar, quero voltar a frequentar”, destaca. “A Unati influenciava no nosso ânimo. Dava mais disposição para enfrentar a vida”, declara Bertoldi.


A primeira universidade estadual a adotar o programa foi a UEPG (Universidade Estadual de Ponta Grossa) denominado Universidade Aberta para Terceira Idade, em 1992. A UEL implantou a Unati em 1994. Atualmente são seis as universidades estaduais com Unati. A UEPG possui cerca de 500 idosos matriculados e oferece anualmente 80 vagas. Na UEM são 520 matriculados. A entidade oferece anualmente 60 vagas. A Unicentro possui 100 idosos matriculados e oferece anualmente 100 vagas. Já a Unespar-Paranaguá tem 132 matriculados e oferece 100 vagas por ano. A Unioeste possui 120 matriculados e oferece anualmente 125 vagas.


Curitiba receberá Uapi no ano que vem


A Seti (Superintendência Geral de Ciência, Tecnologia e Ensino Superior) e a Unespar (Universidade Estadual do Paraná) estão planejando a criação da Uapi (Universidade Aberta para Pessoas Idosas) em Curitiba. O início das atividades está previsto para março de 2020. Serão duas turmas com 20 vagas nos campi Curitiba I e II.


O projeto-piloto terá duração de um ano e a grade curricular foi já elaborada com o corpo docente da universidade.


Segundo o servidor da Seti e membro do CEDI-PR (Conselho Estadual da Pessoa Idosa), José Maia a iniciativa representa uma importante conquista para a pessoa idosa em Curitiba e no Paraná. “As sete universidades estaduais estão presentes em praticamente todas as regiões do Paraná. Potencialmente, todas têm as suas Unatis. Na capital, está presente a Unespar, que neste momento elabora o seu projeto para que as pessoas idosas de Curitiba, por meio da instituição, possam também participar desse universo tão rico de valores, boas práticas, resgate de cidadania, proteção e valorização da pessoa idosa por meio da educação”.


O projeto será financiado pelo Fundo Estadual da Pessoa Idosa, por meio da parceria entre a SetiI, Unespar e a Sejuf (Secretaria de Estado da Justiça, Família e Trabalho).


A UapiI contará com atividades de artes, dança, canto, orientações para uso de tecnologias digitais, palestras, passeios, atividades físicas, além de atualização de conhecimentos. O projeto também prevê que as UNATIs que já existem funcionem em rede, com o objetivo de integrar as atividades desenvolvidas nas cidades de Paranaguá, Pontal do Paraná, União da Vitória, Campo Mourão e Curitiba.


Movimento nasceu na França


O movimento das universidades da terceira idade nasceu na França, nos anos 1970, com Pierre Vellas, professor universitário que se preocupava com as pessoas idosas e a capacidade de as instituições universitárias abrirem as portas do mundo acadêmico para esse segmento da população.




O projeto, desenvolvidos nas universidades, é um espaço de interação das pessoas da Terceira Idade no âmbito universitário entre professores, pesquisadores, funcionários e acadêmicos de diversas áreas do conhecimento, oferecendo atividades de ensino, pesquisa e extensão, promovendo inserção na comunidade universitária. O Programa acolhe pessoas com idade superior a 60 anos de idade, sem necessidade de comprovação escolar, bastando ser alfabetizado.


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