Após morte de motorista de Uber, manifestantes pedem mudança na maioridade penal
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sábado, 14 de abril de 2018
Marian Trigueiros <br> Reportagem Local 
Cerca de 60 pessoas, entre familiares, amigos que vieram da cidade de Sertaneja, representantes do Compaz (Conselho Municipal de Cultura de Paz de Londrina) e motoristas do aplicativo Uber, estiveram reunidos no início da tarde deste sábado (14) na Concha Acústica para protestar contra a morte do estudante e motorista de Uber Flávio Martins Ribeiro Júnior. Ele morreu em 4 de março, após ficar cinco dias hospitalizado na UTI (Unidade de Terapia Intensiva) da Santa Casa de Londrina. O jovem foi vítima de uma tentativa de latrocínio em 27 de fevereiro, quando fazia uma corrida pelo Uber para dois adolescentes. Junior teve pés e mãos amarrados, além de quatro tiros na cabeça. Ele foi localizado muitas horas depois, em uma estrada de terra na região norte de Londrina, ainda com vida, mas não resistiu aos ferimentos. Vários órgãos do rapaz foram doados.

De roupa preta para demonstrar o luto e munidos de faixas e cartazes em homenagem a Júnior, familiares declaravam sua dor e indignação sobre o ocorrido. O pai da vítima, o representante comercial Flávio Martins Ribeiro, disse que a manifestação é para cobrar mudanças na lei da maioridade penal. "Não é possível que um adolescente de 16 e 17 anos não saiba o que está fazendo com tamanha crueldade. Quantas outras pessoas vão precisar morrer para que algo seja feito? Esse abaixo-assinado não é somente para mim e minha família, mas para todos que já perderam alguém dessa forma", argumenta, referindo-se ao documento on-line que as pessoas podem assinar pelo endereço www.abaixoassinado.org/abaixoassinados/40682#inicio para pedir a redução da maioridade penal de 18 para 16 anos.
Desde a morte do filho, Ribeiro tem feito passeatas e manifestações em Londrina e região para que os adolescentes não sejam liberados. "Ainda não sabemos como o juizado vai decidir, mas dois jovens que matam não podem voltar às ruas 45 dias depois", esbraveja, complementando que, na próxima semana, outras manifestações da "Caminhada contra a violência" serão realizadas em cidades próximas, como Cornélio Procópio, a fim de angariar mais assinaturas para o documento. Segundo ele, a família não teve nenhuma posição do aplicativo sobre o crime, além de uma nota de pesar que foi encaminhada, e espera que, em breve, o sistema de transporte dê mais segurança para aqueles que trabalham. "Não entendo como não conseguiram localizar o carro em menos tempo."
Um grupo de motoristas do aplicativo que participavam da manifestação criaram uma espécie de marca que os identifica e, assim, diminuem a vulnerabilidade a que estão expostos durante o trabalho, principalmente de madrugada. Adriano Breitnbach diz que cerca de 150 motoristas de Londrina estão se comunicando por meio de aplicativos alternativos enquanto estão nas ruas, para aumentar a segurança. "Já requeremos melhorias no aplicativo, mas, enquanto isso não acontece, criamos mecanismos próprios de monitoramento. Quando uma viagem apresenta-se suspeita, todos são avisados, um motorista acompanha o outro até o destino final. Também usamos camisetas com o símbolo e os carros têm uma pequena identificação para sabermos quem somos. Enfim, são tentativas para trabalharmos com um pouco mais de segurança." Existem mais de 1,5 mil motoristas cadastrados em Londrina e estima-se que 500 circulem com frequência.


