Após gastar R$ 1,2 milhão, Educação estabelece teto para horas extras
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sexta-feira, 27 de dezembro de 2013
Bruna Quintanilha - Redação Bonde 
A Secretaria Municipal de Educação de Londrina estabeleceu um teto máximo de R$ 400 mil para gastos em horas extras para 2014. Em entrevista ao Portal Bonde, a secretária da pasta, Janet Thomas, classificou a meta como um "desafio", mas enfatizou a necessidade da economia. Em 2013, a prefeitura chegou a pagar mensalmente aos professores o equivalente a R$ 1,2 milhão em horas extras. Atualmente esse gasto gira em torno dos R$ 570 mil. "Temos esse teto máximo, que é um desafio. Não sei se vamos conseguir cumprir, mas desses R$ 570 mil restantes vamos tentar diminuir ainda mais já para o começo do ano", contou.
Janet Thomas explica ainda que "zerar" as horas extras é impossível. "Sempre vamos ter que lidar com hora extra. A hora extra não é só com professor. Em dezembro e janeiro, por exemplo, usamos muita hora extra com a marcenaria que faz as manutenções das escolas".
Segundo a secretária o alto gasto foi necessário devido a falta de planejamento. "Em dezembro de 2012, quando recebi o documento de transição, já sabia que iam faltar mil professores na rede municipal, já que não havia planejamento para as turmas de quinto ano". De acordo com Janet Thomas, diante da demora para chamar novos profissionais, a secretaria optou por pagar as horas extras, que foram, na maior parte, extintas em outubro, com a chegada de cerca de 560 novos servidores. "Sala de aula não pode ficar sem professor, por isso liberamos as horas extras. Chegamos a pagar R$ 1,2 milhão por mês com isso". Os novos professores recebem um salário de R$ 1.400, que são pagos com o valor antes pagos com as horas excedentes.
A forma como os professores eram distribuídos dentro das escolas também contribuiu para o alto valor pago. Janet Thomas conta que em alguns casos, professores mais antigos que ganhavam R$ 4 mil por mês recebiam mais R$ 6 mil somente em horas extras. "As escolas preenchiam com professores todos os cargos menos a regência em sala de aula, obrigando o pagamento de horas extras. Quando eu assumi não podia fazer esse remanejamento, que acontece uma vez por ano. Primeiro porque isso é demorado e segundo porque já havia sido feito. Muita gente entraria na justiça por direito."
Para evitar que o problema volte a acontecer, a secretaria estabeleceu, a partir de agora, um padrão mínimo de funcionamento para as escolas. "Invertemos essa ordem. Todas as escolas tem que primeiro preencher a regência em sala de aula". A regência de educação física, biblioteca, laboratório de informática e de um projeto especial de música ou inglês também está garantida, segundo Janet Thomas. "Com isso, quando os professores da biblioteca e laboratório estão com os alunos, os regentes podem cumprir a hora atividade. É só uma questão de organização. "
Mal-estar com os professores
Janet Thomas classifica o momento de remanejamento de professores como o mais crítico do ano. Ela explica que vários profissionais que estão sendo removidos das escolas onde atuavam e que deixaram de receber horas extras não aceitam as mudanças. "Houve um embate pois professores que estavam ganhando R$ 6 mil a mais, de uma hora para outra tiveram que deixar de ganhar R$ 6 mil".
Para a secretária, ainda que a medida não tenha sido popular, foi necessária para otimizar os trabalhos nas secretarias e nas escolas. "É claro que o bem-estar do professor me move, mas eu tenho que ter a criança como prioridade. Nós somos servidores. Como ser humano eu compreendo a dor de um professor que está deixando o trabalho perto de casa, por exemplo, mas antes de pensar no bem-estar do professor, sou obrigada a pensar nas crianças."


