Apucarana - Após o funeral de Gustavo Henrique Ribeiro, de 4 anos, que morreu na sexta-feira um dia após ser envenenado dentro da própria escola, a polícia impediu uma tentativa de invasão e linchamento da autora confessa de assassinar o menino. A informação é do delegado-chefe da 17 Subdivisão Policial, Acácio de Azevedo. A indignação teria se estendido para fora do cemitério e provocado um protesto de parentes e amigos da família. A polícia estima que mais de mil pessoas participaram do funeral. ''O clima era de muita revolta, e como o cemitério fica a uma quadra da delegacia, reforçamos o policiamento para evitar uma invasão e um possível linchamento. Não podíamos correr o risco de ver aquele movimento crescer'', relatou o delegado.
A auxiliar de laboratório Silmara Castro Santana, 23, que confessou ter assassinado o menino para se vingar do pai dele, o fotógrafo Ronaldo Ribeiro, 25, foi indiciada por homicídio doloso e continua presa em cela separada na carceragem da delegacia. Em depoimento, Silmara disse que mantinha um relacionamento extraconjugal com o fotógrafo há um ano, mas estaria inconformada com o fim do caso. Para se vingar, enviou para a escola do menino uma caixinha de achocolatado com veneno de rato. O fotógrafo negou o envolvimento e disse que só conhecia Silmara profissionalmente.
Ontem, uma equipe de investigadores levou Silmara até a loja de produtos agropecuários onde ela teria comprado o raticida. O dono do estabelecimento, bem como o vendedor da mercadoria, não estavam no local, mas foram notificados a prestar depoimento na delegacia. Segundo o delegado, Silmara teria comprado o produto há um mês, poucos dias após o suposto rompimento com o fotógrafo. O frasco do veneno, com metade do líquido, será enviado ainda hoje para o IML, em Curitiba, onde será submetido a um exame toxicológico. O delegado afirmou que o dono da loja pode ser indiciado por venda de produtos ilícitos, se for comprovada a ilegalidade do veneno, mas deve ficar livre de uma eventual co-autoria do crime. ''Acho isso muito difícil, porque ele não sabia que a mulher usaria o veneno para matar uma criança. Agora, ele poderá responder pelo crime de venda de produtos ilegais, com todas as implicações possíveis'', argumentou.
Silmara continua em cela separada, na companhia de outra mulher acusada de tráfico de drogas, mas pode ser transferida para uma cela comum nos próximos dias. Segundo o delegado, a mudança dependerá do grau de hostilidade que o caso tenha provocado no dia-a-dia dos outros presos. ''Por medidas de segurança ela ficou separada desde a prisão, mas a tendência é que se junte a outros presos''.
A mulher do fotógrafo também era uma das vítimas. Ela recebeu no Hospital Santa Helena, onde trabalha, uma cesta matinal com produtos envenenados. Como desconfiou da procedência do presente, já que o cartão estava assinado com nome fictício, escapou de ser envenenada.

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