Após discussão, artesã é baleada no Cereal
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quinta-feira, 25 de novembro de 2004
Fábio Galão<br>Reportagem Local 
A artesã Elza Pereira Tranin, 61 anos, foi baleada por um funcionário de uma banca no Centro de Referência do Artesanato de Londrina (Cereal), na Avenida Rio de Janeiro (Área Central), no final da manhã de ontem. Segundo informações da Polícia Militar (PM), ela foi atingida com um tiro na região pubiana. Elza, que é presidente de uma das associações dos artesãos do Cereal, foi levada pelo Siate para o Hospital Universitário (HU).
Um artesão que trabalha no centro de referência e que não quis ser identificado informou que o funcionário atirou na artesã após uma discussão. ''Tem uma sala do lado da banca onde esse rapaz trabalha, em que ele almoça, fica por lá, é mais ou menos o cantinho dele. Ele começou a discutir com a Elza e com outras pessoas porque elas queriam usar aquele espaço como depósito. A Elza chegou a fazer ameaças. No bate-boca, o rapaz se irritou, tirou uma arma e disparou'', relatou o artesão.
''A verdade é que todo mundo está nervoso no Cereal porque as vendas vão de mal a pior. O comércio acabou por lá. Quem tinha funcionário está dispensando, filho que ajudava pai e/ou mãe no artesanato está procurando emprego. Nesse clima ruim, acabou acontecendo essa confusão de hoje (ontem)'', disse. O Cereal foi criado no ano passado pela Companhia Municipal de Trânsito e Urbanização (CMTU), com o objetivo de tirar os artesãos da Praça Marechal Floriano Peixoto, no Calçadão.
Carlos Xavier, assessor de relações comunitárias da CMTU, disse ontem que não foi feita nenhuma reclamação formal sobre baixo movimento no centro de referência. ''Mas reconhecemos que há necessidade de melhorias para estabilizar o Cereal, que passam pela organização dos próprios artesãos. Infelizmente, ainda há resistência ao projeto por parte de algumas das pessoas que trabalham lá. Os artesãos devem resolver estas questões'', disse Xavier.
No final da tarde de ontem, Elza permanecia internada no HU. Segundo a assessoria de imprensa do hospital, o estado de saúde dela era considerado estável. Durante toda a tarde, a artesã foi submetida a exames para apontar se seria necessário realizar cirurgia, decisão que não havia sido tomada até o fechamento desta edição.


