Após chuva recorde, prefeitura decreta estado de emergência
PUBLICAÇÃO
quarta-feira, 13 de janeiro de 2016
Rafael Souza<br>Reportagem Local
Diante de uma cidade devastada por um volume recorde de chuvas na última segunda-feira, o prefeito Alexandre Kireeff decretou ontem estado de emergência. O anúncio foi feito durante entrevista coletiva realizada durante a tarde no gabinete. Com representantes de vários órgãos e secretarias, o chefe do Executivo prometeu uma concentração de esforços para evitar prejuízos maiores e recuperar a infraestrutura do município.
Logo no início da manhã, o prefeito e alguns secretários visitaram alguns dos pontos mais críticos avariados pelas chuvas. E durante todo o dia de ontem, funcionários da Prefeitura de Londrina e de outros órgãos envolvidos no atendimento à população ainda percorriam os bairros na tentativa de traçar um panorama da destruição. A ideia é traçar um relatório que vai nortear as ações de recuperação.
"Vivenciamos um evento climático de alta intensidade, que gerou impactos de alta gravidade ao município, com dificuldades extremas para a população e deterioração da infraestrutura pública, que determinou a decretação do estado de emergência, até para que possamos ter mais agilidade e intensidade na nossa reação", comentou Kireeff.
O prefeito salienta que, até o momento, o município trabalha somente com os próprios recursos para o projeto de recuperação e atendimento à população, mas não descartou apoio do governo do Estado, mediante a apresentação de um relatório mais concreto dos estragos. "Evidente que se pudermos angariar recursos, tanto do governo do Estado, como do federal, serão muitos bem-vindos e vão ajudar muito, mas nesse momento vamos trabalhar com o orçamento municipal", falou Kireeff, acrescentando que não há ainda nem uma estimativa prévia do prejuízo financeiro que as chuvas causaram.
Para início do atendimento à população que teve problemas com as chuvas, foi definida uma linha de trabalho, com prioridade para situações com risco de vida. Na sequência, a atenção é para o restabelecimento de serviços essenciais à população, como água, energia elétrica e coleta de lixo, e depois a recuperação dos estragos causados à infraestrutura.
Uma reunião no final da tarde de ontem, com a presença de todas os órgãos envolvidos, como Defesa Civil, Sanepar e Copel, serviria para elencar as prioridades de cada área e traçar um cronograma de trabalho unificado.
Até o início da tarde de ontem, haviam sido registrados 64 atendimentos à residências, com os mais variados tipos de avarias, desde rachaduras a alagamentos. Destas, três famílias tiveram que deixar suas casas e pedir abrigo a familiares. Segundo a Prefeitura, as chuvas também atingiram quatro escolas e dez equipamentos públicos, sendo oito delas Unidades Básicas de Saúde (UBS).
O volume de água que chegou ao Parque Daisaku Ikeda, nas margens do Ribeirão Três Bocas, também na zona sul da cidade, arrastou o parque infantil, árvores, parte do barranco, barras de ferro da passarela e ultrapassou a barragem da antiga usina desativada. Apenas o mirante não havia sido danificado até o final da manhã. A destruição causou espanto em moradores da região, frequentadores do parque e curiosos que passavam pelo local. O local foi interditado, assim como Parque Arthur Thomas.
A situação também é complicada nos distritos de Maravilha, Patrimônio Regina, São Luiz, Guairacá, Irerê, Paiquerê e São Luiz, já que as estradas que levam a estes locais também foram interditadas. Por isso, também não há transporte público. A única exceção é a Warta. Em Irerê, 30 pessoas ficaram ilhadas no terminal urbano e recebendo assistência do município.
A Sanepar informa que cerca de 500 mil pessoas ficaram sem água na região de Londrina, que inclui dez cidades. Arapongas, Apucarana e Rolândia têm 100% do sistema parado, e outras com apenas 30% em funcionamento, como Wenceslau Braz e Tomazina.
Em Londrina, a companhia alerta que o fornecimento pode ser interrompido totalmente caso a população não faça uso racional do recurso. "Também tivemos avarias na adutora e inundação do sistema de captação do Tibagi e estamos produzindo apenas 30% da nossa capacidade normal. Pedimos a colaboração da população para utilizar água somente para necessidades fundamentais de higiene pessoal e alimentação, até que possamos restabelecer o abastecimento normal", pediu o gerente geral da Sanepar na Região Nordeste, Sérgio Bahls, antes de indicar um prazo médio de 48 horas para que tudo volte ao normal. "Vamos distribuir para clínicas, hospitais e para atender realmente a saúde pública de Londrina e Cambé", completou. Com a água suja, a Sanepar tem encontrado dificuldade também para realizar o tratamento.
Já a Copel informou, no final da tarde, que cerca de 2 mil domicílios em Londrina e Tamarana ainda estavam sem fornecimento de energia.
Desde a madrugada de ontem, a coleta de lixo também foi interrompida, pois o acesso ao Centro de Tratamento de Resíduos (CTR), estava interditado. A orientação aos munícipes é evitar deixar o lixo fora de casa. (Colaborou Viviani Costa)