Após ataques, moradores estão inseguros
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segunda-feira, 01 de abril de 2013
Micaela Orikasa<br>Reportagem Local 
Nas últimas semanas, os londrinenses têm acompanhado a onda de violência que se espalha por toda a cidade, com a mesma insegurança de quem vive em grandes capitais. Esse clima foi reforçado pela sucessão de ataques aos ônibus do transporte coletivo, que foram invadidos e incendiados.
A notícia de que os passageiros eram obrigados a entregar seus pertences e sair do veículo antes dele ser consumido pelas chamas foi relatada em três ocasiões em apenas 10 dias. Em todo o Norte e Noroeste do Estado, já foram registrados oito incêndios criminosos contra coletivos nesse mesmo período.
Essa sequência de crimes gerou um clima de insegurança não só entre usuários, mas também em moradores das regiões atingidas. Apesar de os passageiros não terem mudado a rotina quanto ao uso do transporte, eles afirmam ficar inseguros durante o trajeto.
A FOLHA percorreu os locais onde os veículos foram incendiados em Londrina e encontrou passageiros ainda assustados. "Naquele dia, eu vinha no ônibus de trás. Percebi uma movimentação de policiais e bombeiros e de repente vi muita fumaça. Senti um alívio enorme por ter escapado dessa situação. O ruim é que agora fica a insegurança. Dentro dos ônibus, os passageiros ainda
comentam muito sobre o ocorrido", relembra Rosina Nogueira do Amaral, de 57 anos, usuária da linha 421, que percorre o Jardim Santiago (zona Oeste).
Na manhã do dia 21 de março, três jovens atearam fogo após invadir o coletivo na Rua Sidrak Silva Filho. O motorista conseguiu conter as chamas, evitando danos maiores. "Ninguém sabe ao certo o motivo disso tudo. O que posso afirmar é que agora estou muito mais atenta dentro e fora do ônibus. Quando estou no ponto, fico esperta e se eu desconfiar de alguma movimentação estranha, saio andando depressa", revela uma passageira e moradora do bairro há 17 anos.
Santa
O primeiro ataque no município foi registrado no dia 17 de março, na Rua Simone Christina Juliani, no Jardim Novo Horizonte, na zona Norte. Os estalos do fogo consumindo o veículo despertaram a dona de casa Chloris Maria de Araújo. "Já era noite e a polícia pediu para que saíssemos de casa porque era perigoso demais. O fogo era tão alto que incendiou parte do meu quintal", comenta Chloris, que não esconde o sentimento de medo. "Não tem como não ficar amedrontada e desconfiada. A gente nunca sabe quem vai entrar no ônibus", desabafa.
Já Jesus Marinheiro da Silva, de 64 anos, vizinho de muro do ponto onde o veículo foi incendiado, conta que acordou com as chamas consumindo a lona que protegia a garagem. "Minha sorte é que o ônibus não estava encostado na calçada. O motorista tinha parado no meio da rua. Quando vi o fogo em casa, só tive tempo de ligar a mangueira do tanque e tentar apagar o fogo para que ele não avançasse sobre o forro de madeira", conta Silva, que agiu antes mesmo da chegada dos bombeiros e já substitui a lona por toras de madeira.
Questionado sobre o clima de insegurança, Silva responde com rapidez. "Não dá para viver com medo. Eu tenho minha Santa e ela me protege", afirma, apontando para uma imagem sagrada pregada na parede da sala. A Polícia Militar (PM) prendeu quatro suspeitos de provocar o incêndio, sendo dois maiores e dois adolescentes.
Estouros
O último ataque foi registrado há pouco mais de uma semana, na Rua Serra de Santana, no Jardim Bandeirantes (zona Oeste). O alvo foi o veículo da linha 308. Apesar dos passageiros terem tido seus pertences roubados, ninguém se feriu, mas o veículo ficou completamente destruído.
"Hoje em dia tenho medo de tudo. Sou usuária do transporte e ainda estou muito assustada com os últimos acontecimentos", desabafa a moradora do bairro Dalziza Pereira. Uma outra senhora que não quis se identificar, revela a preocupação em morar em frente ao ponto de ônibus. "É horrível. Eu escutava estouros e fiquei morrendo de medo do fogo invadir minha casa. Não conseguimos dormir na noite do ocorrido e confesso que estou assustada até hoje", comenta a autônoma, que se mudou para o bairro há 30 dias.
A Polícia Civil descarta a hipótese de que os três ataques a ônibus tenham sido orquestrados por alguma organização criminosa e afirma se tratar de ato de vandalismo e reação a morte de dois homens em um confronto com a polícia. O secretário de Segurança Pública, Cid Vasques, analisou os ataques como ações isoladas e afirmou que muitos dos autores destes crimes já foram detidos ou apreendidos.


