Dorico SilvaRevoltaMoradores vizinhos junto à placa dárea: denúncias de derrubada de árvores e entupimento de minasOs moradores do Parque Residencial Tucanos (zona sul) estão dispostos a entrar na Justiça para impedir o prosseguimento das obras de construção da sede social da Associação da Vila Militar, em um fundo de vale naquele bairro. As obras foram embargadas pela promotoria do Meio Ambiente em outubro do ano passado devido à falta de projeto e, segundo os moradores, foram retomadas há 15 dias. O engenheiro responsável pela construção, Oscar Alberto Bordin, nega as acusações e diz que estão sendo realizadas apenas a preparação do terreno e recuperação dos taludes (áreas inclinadas).
Ontem pela manhã os moradores se reuniram no local. Segundo informou Maria Inês Gimenes, além de derrubarem as árvores, foram entupidas as minas existentes no local. ‘‘Não podemos permitir que façam isso num fundo de vale’’, disse Maria Gimenes.
A contestação dos moradores tem o apoio da presidente da Associação Ambientalista Bandeira Verde, Eliana Souto. Ela considera um ‘‘descalabro’’ a doação da uma área de preservação pelo município. A área de 36 mil metros quadrados foi doada pela administração anterior. ‘‘O fundo de vale foi doado por prefeito ambientalista. Estão matando uma área onde a vida se reproduz’’, critica Eliana.
Eliana Souto calcula que mais de 2 mil árvores já foram derrubadas para dar lugar às três piscinas já construídas no terreno. ‘‘Ninguém sabe qual a intenção dessa associação porque nem projeto existe’’, comenta a ambientalista.
A única informação que os moradores têm sobre o destino da área está contida na placa colocada em frente a um amontoado de tijolos próximo ao fundo de vale. A placa informa que na área de 36 mil metros quadrados será construído um parque aquático com três piscinas. O projeto de doação é de autoria do atual presidente da Câmara de Vereadores, major Adalberto Pereira, e, como descreve a placa, vai beneficiar uma população de 1.500 famílias de Londrina e região.
As obras foram embargadas pela promotora do Meio Ambiente, Maria Lúcia Reichenbach que, na época, visitou o local e constatou várias irregularidades, inclusive a inexistência de alvará. Segundo o engenheiro Oscar Bordin, há cerca de um mês, após várias reuniões, foi assinado um termo de compromisso entre representantes da promotoria, da Associação da Vila Militar e do Instituto Ambiental do Paraná (IAP) e Autarquia do Meio Ambiente (AMA). O engenheiro do IAP, Alberto Bacarin, confirma a assinatura do termo de compromisso.
De acordo com o engenheiro, a associação se comprometeu, entre outros itens, a recuperar o fundo de vale existente na área (inclusive com plantio de árvores nativas) e também foram feitas modificações no projeto original para que o meio ambiente não sofresse agressão. O termo de compromisso prevê ainda a recuperação e conservação das minas existentes no local.
Oscar Bordin afirma que as acusações dos moradores são infundadas e ele acredita que elas surgiram devido ao movimento das máquinas e caminhões. ‘‘Como engenheiro da obra, não seria irresponsável a ponto de não cumprir o termo de compromisso.’’
Na semana passada, teve início a limpeza no terreno e foram retirados do local, segundo o engenheiro, mais de 450 metros cúbicos de entulhos. ‘‘Na semana que vem devemos iniciar o plantio de grama na área’’, afirma. Ainda de acordo com Oscar Bordin, foi executada a obra de contenção dos taludes.
Adalberto Pereira afirma que existe preconceito dos moradores daquela região. ‘‘Na verdade, os moradores não querem os policiais militares do lado deles.’’ Ele justifica lembrando que existem outras associações naquela região. O vereador diz também que o termo de compromisso não está sendo descumprido. ‘‘Se descumpríssimos, correríamos o risco de a obra ser embargada novamente.’’
A promotora substituta do Meio Ambiente, Gildelena Alves da Silva, explica que irá oficiar o IAP para que vá até o local e veja se realmente as obras foram retomadas. Caso a denúncia se confirme, a promotora diz que poderá propor uma ação civil pública para impedir o prosseguindo das obras.
(Luka Morais e Lucília Okamura)

mockup