Uma mudança da água para o vinho. Este é o resultado do trabalho da administração do Centro Social Marista Irmão Acácio (Cesomar), antiga Escola Oficina, no Conjunto João Paz (Zona Norte de Londrina). Pouco mais de seis meses depois da reinaguração, a instituição promoveu uma verdadeira revolução na qualidade do atendimento aos adolescentes, considerados em situação de vulnerabilidade social ou pessoal. A direção mudou para as mãos dos Irmãos Maristas no final do ano passado, após intervenção da prefeitura por suspeita de irregularidades. A transição foi marcada por tumultos e atos de vandalismo dos educandos.
A principal modificação foi o público-alvo: moradores da vizinhança em vez de adolescentes infratores. Para a coordenadora-geral Jimena Grignani, porém, o método de trabalho é o maior responsável pela tranquilidade reinante na instituição. ''Todos os dias, recebemos cada estudante com um abraço. Em casa, muitos deles não têm este hábito afetivo. Chega até a dar dor no braço'', brinca Jimena. E abraços não faltam. São 200 alunos, divididos em quatro turmas nos períodos da manhã e tarde.
As atividades são variadas e no contra-turno da escola: oficinas de esporte, capoeira, teatro e artes visuais. Também há aulas de reforço escolar e cursos profissionalizantes de estilismo em moda e garçom. O método segue os parâmetros da Unesco, órgão das Nações Unidas para a educação, e da Lei de Diretrizes e Bases (LDB).
Para o próximo ano, a direção prevê a abertura de 300 vagas. As exigências são idade entre 12 e 16 anos, estar na escola e morar na região. São 20 horas semanais de atividades e as faltas precisam ser justificadas.
Os adolescentes infratores que eram atendidos pela Escola Oficina foram encaminhados para projetos da rede de assistência da prefeitura, como a Guarda Mirim.
Outra função da instituição é encaminhar os jovens para o mercado de trabalho. Um exemplo é o agora entregador de marmitas Santhiago Menezes da Silva, 16 anos. Educando do Cesomar desde maio, ele conseguiu emprego no início do mês em um restaurante no Centro da cidade. ''Antes não fazia nada à tarde. Só ficava tocando guitarra e escutando música. Agora quero tentar uma bolsa para fazer o curso de turismo'', sonha. Para Jimena, neste caso, o objetivo foi cumprido.

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