Campo Mourão - Cerca de 40 anos depois de ser irregularmente loteada, a Vila Guarujá, um bairro agrourbano existente a cerca de cinco quilômetros de Campo Mourão, pode finalmente ser oficializada no mapa da cidade. Para isso, a prefeitura publicou semana passada uma notificação dando 30 dias para que os loteadores da área regularizem a vila. Se isso não for feito, a própria prefeitura terá autorização para assumir o loteamento.
A Vila Guarujá tem uma área total de 613 mil metros quadrados e está dividida em mais de 200 lotes de 2,4 mil metros quadrados. O bairro é uma espécie de vila rural que deu errado. Como ficou clandestino, as ruas não têm nomes até hoje. Dos cerca de 250 lotes, apenas 76 estão regularizados 56 conseguiram uso capião e 20 obtiveram escritura pública. Outros 33 processos de uso capião estão tramitando na Justiça.
''O restante dos lotes não tem nada. No máximo, há um recibo de compra e venda'', afirma o advogado da Secretaria de Planejamento de Campo Mourão, Levi Queiroz da Paixão. São pelo menos 30 terrenos nessa situação. Mesmo quem conseguiu o uso capião vive uma situação incômoda. ''São pessoas que vivem ilhadas dentro de um lotel rural'', explica o advogado. Oficialmente, a Vila Gurujá é isso: dois lotes rurais.
Para complicar ainda mais a situação, quem conseguiu o uso capião tem o direito de usar até as ruas do bairro, uma vez que elas não existem oficialmente. Sem ruas oficiais, nem os carteiros passam pela vila. A situação só foi amenizada com a instalação de uma caixa postal na escola do bairro. É lá que chega a correspondência dos moradores. Asfalto, meio-fio ou galerias pluviais também não podem ser construídos.
O principal loteador da área é o ex-vereador Zamir José Teixeira, que deixou a cidade há vários anos. A própria prefeitura tem poucas esperanças que ele assuma a regularização do bairro. Pelos cálculos a Secretaria de Planejamento, isso vai custar cerca de R$ 2 milhões, uma vez que o loteador teria até que asfaltar as ruas da vila. Também teria que reservar 10% do lotes para infra-estrutura pública, o que não foi feito na época.
Mesmo irregular, a Vila Guarujá tem posto de saúde, escola, creche, rede de água e energia elétrica. Os novos prédios da escola e da creche, inaugurados no ano passado, foram construídos num dos poucos terrenos legalizados da área. Os lotes tiveram que ser comprados pelo município da ex-deputada estadual Amélia Hruschka. A falta de regulamentação também impede a prefeitura de cobrar IPTU dos moradores.

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