Após 3 anos, ginásios têm obras aceleradas
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sexta-feira, 06 de janeiro de 2006
Fernando Rocha Faro<br>Reportagem Local 
A burocracia da máquina pública parece ter o poder de transformar sonhos em problemas. É o que acontece quando a finalização de obras torna-se uma novela, que independentemente do final feliz tem um enredo capaz de irritar qualquer cidadão. Quando vêem, por exemplo, as construções de ginásios de esportes em áreas bastante populosas da cidade serem ocupadas por usuários de drogas no lugar de crianças jogando bola.
Essas cenas estavam sendo comuns no complexo esportivo do Jardim Campos Elíseos (Zona Sul de Londrina) que teve as obras retomadas recentemente. Tanto que as mães só deixavam os filhos usarem a quadra com a presença de adultos. O que intimidava era o uso do local como mocó. Hoje, vigia contratado pela empresa responsável pela construção garante a relativa tranquilidade.
Melhor para o estudante Rodrigo Gomes Simas, 12 anos. Ele aguarda com ansiedade a oportunidade de correr atrás da bola no ginásio pronto. ''Quando estava abandonado não tinha jeito de jogar. Os pequenos não têm vez quando os grandes jogam. Quando ficar pronto quero jogar aqui'', afirma.
Enquanto espera, a alegria de Rodrigo e das outras crianças das redondezas depende da boa vontade e da disponibilidade de moradores do bairro. O segurança Jorge de Souza Damasceno, 56 anos, é o modelo de dedicação à infância do Campos Elíseos. Quando pode, deixa o cansaço de lado e participa dos jogos da criançada.
''Faz uns 20 dias que nós pintamos a quadra. Fizemos uma vaquinha entre os vizinhos e a própria garotada ajudou. Hoje eu e outros vizinhos ajudamos a cuidar. Até porque aqui no bairro não tem opção de lazer'', cobra.
Enquanto isso, em outro canto da cidade, a vizinhança do Jardim Bandeirantes (Zona Oeste) pára pra assistir um caminhão guincho colocar as estruturas de ferro da cobertura do ginásio em construção na esquina da Avenida Arthur Thomas com a Rua Serra da Esperança. E esperança é o que os moradores da área já haviam perdido sobre a nova área de lazer.
''Mas é sempre assim. Ano de eleição os políticos têm que mostrar algum tipo de serviço'', alfineta o enfermeiro Paulo Sérgio de Oliveira, 35 anos. Morador do Jardim Versailles, ele considera a região ''carente em áreas de lazer.'' ''(O ginásio) É uma coisa boa entre aspas porque só vai ser terminado em ano eleitoral. Mas tem lugares com bem menos opções de lazer em Londrina'', reconhece.
Quem não vê a hora de ver o ginásio pronto é a dona de casa Terezinha Sônia Torres, 41 anos. Ela disse que ficaria mais tranquila com um local adequado para a filha Erika brincar com segurança. ''Quem pode paga um clube. Quem não pode depende de lugares assim para se divertir. Além disso, criança não aguenta ficar dentro de casa quando está de folga da escola'', ressalta, com ansiedade para ver a pequena Erika com um espaço adequado para brincar nas próximas férias.


