Após 25 anos, teste de DNA dignifica a verdade
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sábado, 12 de junho de 2010
Luciano Augusto<br>Reportagem Local 
Quando tinha pouco mais de um ano de vida, C. ajudou a mãe a comprovar uma verdade. Desacreditada por todos, a mulher provou, com o apoio da ciência, que o ''suposto pai'' era, de fato, o ''pai biológico'' da criança. O avanço científico em questão era o exame de DNA, técnica que está completando 25 anos e que causou revolução não só na ciência, mas na Justiça e na vida de muitas pessoas.
A revelação sobre os genitores não trouxe consigo o amor paterno para C., mas significou muito para a mãe, conta a jovem. ''Ela dizia que fez tudo isso porque tinha que provar para ele (o pai), e para todos que duvidavam dela, que não estava mentindo. Tanto que minha mãe nunca pediu nada para ele e criou sozinha eu e minha duas irmãs'', orgulha-se a jovem, que não tem o nome do pai biológico na certidão de nascimento e pouco fala com ele. ''Nem consigo chamar ele de pai porque na minha vida nunca existiu essa figura'', admite C.
A dignidade alcançada com o resultado do exame de DNA é, na opinião do juiz da 1 Vara de Família de Londrina, Mauro Henrique Ticianelli, um dos maiores avanços que a Justiça e a sociedade tiveram com o uso da técnica. ''Antes, o juiz tinha de ouvir testemunhas para comprovar o relacionamento íntimo entre o casal e, além de não ser exato, era extremamente constrangedor. Hoje, recebo da mãe o pedido de reconhecimento de paternidade, ouço o que preciso saber, convoco o suposto pai, encaminho para o exame e 10 dias depois tenho o resultado: fulano é o pai da criança ou fulano não é o pai da criança.'' O teste de DNA é feito em 80% das cerca de 200 ações de reconhecimento de paternidade ajuizadas anualmente em Londrina.
A certeza científica disseminada pela confiabilidade no teste de DNA provocou transformações profundas também no seio das famílias envolvidas nestes conflitos. Ticianelli comenta, que passados 25 anos desde sua criação, o teste contribuiu para desmistificar a revelação da paternidade. ''Já não há mais aquele impacto negativo. A pessoa vem para a audiência, se defende, faz o exame e confirma ou não o vínculo, sem constrangimentos. A ação é muito mais discreta, direta e dissipa a dúvida definitivamente'', valoriza o juiz.
Diante disso, fica aberto o caminho para o reconhecimento da paternidade, não só no papel mas também socialmente. ''O direito personalíssimo da criança é ter o nome do pai no documento. Por isso, sempre oriento os pais que o documento representa o direito da criança chegar na escolinha e mostrar para os amiguinhos que ela também tem uma mãe e um pai.''


