Após 2 anos, mãe ainda espera justiça
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segunda-feira, 30 de abril de 2007
Silvana Leão<br> Reportagem Local 
Sueli Aparecida Paula Teodoro, 41 anos, mudou-se de casa e tenta manter o semblante tranquilo, mas uma grande dor atormenta seus dias. É a dor da perda do filho, o do meio de três, que a ajudava a manter a casa desde os 15 anos de idade. Jamys Smith da Silva foi morto aos 20 anos de idade, vítima de espancamento por policiais militares. No próximo dia 15 faz dois anos que ela vive de juntar os próprios cacos e de renovar diariamente a esperança de que os culpados sejam punidos.
''Espero que um dia haja justiça. A falta dele, saber que os policiais tiraram ele daqui, saber que eu não posso fazer nada porque não tenho dinheiro para pagar advogado, é o que mais me faz sofrer'', diz Sueli, que hoje vive em uma pequena casa no Jardim Montecristo (Zona Leste) com o filho caçula de quatro anos, a poucas quadras de onde Jamys foi morto. A pequena família vive com cerca de R$ 200,00 por mês, que ela consegue trabalhando informalmente de cabeleireira.
Jamys era carregador da Central de Abastecimento de Londrina (Ceasa), tinha sido pai há pouco tempo e adorava música. Esta mesma música, que o fazia sentir-se vivo e a sonhar com uma carreira artística, também foi a causa de sua agonia. No dia do crime, ele fazia uma festa em casa, no Jardim Santa Fé, quando, por volta da 1 hora, a polícia foi chamada por vizinhos por causa do som alto. Ao chegar, Jamys e os amigos teriam se recusado a baixar o volume. Com apoio de mais uma equipe do Pelotão de Choque, os policiais entraram na casa, teriam chutado a caixa de som e levado o dono da casa para a rua. Lá, segundo uma tia do rapaz, o espancaram e o jogaram várias vezes contra um muro.
Na sequência, o carregador foi jogado desmaiado dentro da viatura e chegou morto ao Pronto Atendimento Municipal (PAM). Sueli estava a algumas casas de distância, com sua mãe. ''Não deixaram me chamar. Meu genro e a mãe dele assistiram tudo, mas tinham uma arma apontada para eles e não puderam fazer nada'', resigna-se a mãe. Ela parece viver em estado de letargia, uma ''arma'' das mulheres órfãs de filhos. Quase nunca altera o tom de sua voz, e as lágrimas só lhe brotam nos olhos quando fala da falta que o filho faz. ''Ele estudou até a 4 série. O negócio dele era trabalhar e ouvir música. Não usava drogas, nunca roubou. O pior é saber que meu filho não morreu. Arrancaram a vida dele brutalmente.''
Sueli diz que ver os responsáveis pela morte de Jamys presos não vai fazê-la esquecer, mas aquietaria sua revolta. ''Pelo menos eles estariam pagando pelo que fizeram. Se fosse um de nós, tenho certeza que já estaríamos presos. Só quero justiça.'' O alento da cabeleireira é olhar para o neto, hoje com dois anos e meio e que ''é a cara do pai''. Para ela, a criança é a identidade que o filho nunca fez.
Segundo a promotora da 1 Vara Criminal de Londrina, Susana de Lacerda, o processo que apura o crime está em fase de instrução. Algumas testemunhas, de acordo com a promotora, alteraram seus depoimentos originais e as oitivas não foram concluídas. ''Como os réus estão soltos, o processo é mais lento.''
O relações públicas do 5º Batalhão da Polícia Militar, tenente Ricardo Eguedis, informou que os quatro acusados de participação na morte estão afastados do trabalho até serem julgados. Como o crime foi considerado doloso (com intenção de matar) contra a vida, os acusados deverão ir a júri popular.


