São Francisco deu licença já que do santo o bairro traz o nome, que pelo sabor do costume até a única escola da região era batizada assim. Porém, como as melhores lições da vida trazem no alforje exemplos, não foi de um dia para o outro, mas depois de 18 anos desde a inauguração, que a instituição escolar passará a se chamar Colégio Estadual Professora Déa Alvarenga. A ''inauguração'' será hoje, a partir das 19 horas, com a participação da comunidade, familiares da professora e estudantes.
O novo nome da antiga Escola Estadual do Jardim São Francisco (Zona Oeste) não foi escolhido pelos 286 alunos dos ensinos fundamental e médio, mas uma sugestão do Núcleo Regional de Ensino. Nem por isso, os estudantes se sentiram menos motivados a abrir a história da professora, descobrindo nela o tempero dos poetas.
''Escrevi um poema inspirado na mulher, como é o nome de uma das poesias da professora, pegando a fase mais madura de Déa'', afirmou Maria Vera de Gouvea, 43 anos, deixando rastros de exemplos na própria vida ao retomar os estudos, seguidos de perto pela filha Andreia Nascimento Gouveia, 14 anos, com quem divide a sala de aula no primeiro ano do ensino médio.
A condição da mulher, saudade e a arte do poeta foram algumas das inquietações de Déa, que migraram para suas poesias. Parte desse trabalho está nas duas antologias ''Elistas Escrevem'' e ''Elistas Escrevem 2''.
Nascida em Araxá (MG), em 1931, Déa morreu há três anos. ''Fui amiga dela na Academia de Artes, Ciência e Letras de Londrina, fazendo também parte do Elos Clube. Lecionamos juntas no Érico Veríssimo, de Cambé. A Déa foi professora da minha filha, que por influência dela estudou francês'', lembra a professora Martha Francisca Scripes, ressaltando que a amiga era pós-graduada na Sorbonne, em Paris.
A estudante Mayara do Nascimento, 13 anos, aluna da 7 série do fundamental, ainda não sabe a importância de ter passado pela universidade francesa, aprendendo mais do que fazer as poesias, que deve apresentar na solenidade hoje à noite, levando para casa uma lição, ensinada já pelo velho Chico de Assis: ''Aprendi, principalmente, que a professora era uma pessoa muito boa'', conclui a garota.

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