Após 16 anos, Panissa quer acordo
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sexta-feira, 05 de agosto de 2005
Luciano Augusto<br> Reportagem Local 
No dia em que completa exatos 16 anos do assassinato de Fernanda Estrusani, morta a facadas em seu apartamento do Centro de Londrina pelo ex-marido Marcos Panissa, o advogado do réu, Antônio Carlos de Andrade Vianna, disse à Folha que seu cliente tem interesse em ser julgado novamente. Isso desde que o Ministério Público (MP) revogue o mandado de prisão em vigor. Caso contrário, destacou o advogado, Panissa não vai se apresentar.
Vianna afirmou que por diversas vezes teria tentado junto ao Ministério Público a revogação do mandado de prisão que existe desde 1995 contra Panissa. Essa seria a condição para que seu cliente retornasse à cidade para novamente sentar-se no banco dos réus perante o Tribunal do Juri. ''O MP representa a sociedade e se tiver interesse que seja feita justiça que aceite a revogação da prisão'', comentou.
Isso porque o réu não concorda com um terceiro julgamento e sua família não teria mais estrutura emocional para suportar por horas e horas até que seja conhecida a sentença. ''Ele foi condenado há nove anos e queria cumprir a pena mas o Ministério Público pediu anulação. Agora, vai esperar completar os 20 anos para arquivar o caso'', completou. A questão é que o crime não prescreve enquanto o réu permanecer foragido.
O advogado afirmou que teria conversado sobre o assunto com a atual promotora da 1 Vara Criminal, Susana Feitosa de Lacerda, mas ela não teria aceitado as condições de seu cliente.
A promotora assegurou que Vianna ''nunca'' a procurou para tratar do caso e tentar um acordo para que seu cliente fosse novamente julgado. ''Comigo nunca conversou sobre esse caso. Se viesse conversar comigo estaria disposta a concordar desde que fosse marcado o dia e hora do julgamento.''
Fernanda foi assassinada no dia 6 de agosto de 1989, numa noite de domingo. Segundo testemunho de um porteiro do prédio da vítima, Panissa teria subido até o apartamento da ex-mulher, demorado cerca de 15 minutos e saído. Fernanda foi encontrada morta. Dias depois, Panissa admitiu a autoria à polícia. Doze dias depois do crime, o corpo foi exumado e o Instituto Médico Legal (IML) contou 72 facadas no corpo da vítima. A arma do crime nunca foi encontrada.
Em outubro de 1991, Panissa foi julgado e condenado a pena de prisão de 20 anos e seis meses, mas usou do direito de apelar e aguardar em liberdade. Em março de 1992, ocorreu o segundo julgamento e ele foi condenado a nove anos de reclusão. Acusação e defesa recorreram. Marcado o terceiro julgamento, em maio de 95, mas Panissa não se apresentou.
Em junho, houve nova tentativa de julgá-lo mas novamente ele não compareceu e a sessão do tribunal sequer foi aberta. Desde então, é considerado foragido da Justiça. Boatos dão conta de que ele estaria em alguma cidade do Estado de São Paulo mas seu advogado disse não saber sequer se ele está no país ou no exterior.


