Após 10 anos, mecânico recupera Fusca roubado
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sexta-feira, 14 de outubro de 2005
Maigue Gueths<BR>Equipe da Folha 
Curitiba Em junho de 1995, o mecânico de automóveis Emerson Fonseca Pinheiro saiu da aula de natação, em uma academia em São Bernardo do Campo (SP), e se deu conta que seu carro, um Fusca ano 1974, tinha sido roubado. Na semana passada, na casa onde mora, em São Caetano do Sul (SP), recebeu um telefonema da Delegacia de Furtos e Roubos de Veículos de Curitiba comunicando que o Fusca foi encontrado e que ele poderia buscá-lo na Capital.
O fusca, que era branco quando foi roubado, hoje é verde-limão, mas a pintura raspada deixa à mostra que, nesses dez anos, também foi laranja e azul. ''Com certeza ele teria muita coisa pra contar'', disse Pinheiro, em alusão ao filme ''Ah, se meu fusca falasse''.
Pinheiro conta que nunca teve esperanças de recuperar o veículo. Ele achava que o Fusca foi roubado para venda de peças. ''Quando a polícia me ligou falando que encontraram o carro, eu perguntei: que Fusca? Nem lembrava mais'', disse o mecânico, que ontem esteve na delegacia para pegar o carro.
O Fusca, na verdade, não era de Pinheiro, mas de sua sua irmã mais nova, Merione. Emerson tinha um Passat, mas no dia da natação resolveu sair com o carro da irmã. Azar o dela, que acabou ficando uns dois anos sem carro, até poder comprar outro. Hoje os dois irmãos têm um Corsa. Por isso, Merione já decidiu: vai dar o Fusca de presente para a mãe, a aposentada Luzia Serzedello.
Segundo o delegado operacional da Furtos e Roubos, Ronald de Jesus, o carro foi descoberto porque uma pessoa que o comprou foi ao Departamento de Trânsito do Paraná (Detran-PR) fazer a transferência de propriedade do veículo. Lá foi constatado que o número do chassis estava alterado. O carro foi encaminhado à polícia que, após perícia, descobriu o número original do chassis e, em confronto com dados de roubos, descobriu o Boletim de Ocorrência (BO) de furto, feito por Pinheiro há dez anos. ''Ninguém vai ser indiciado, nem quem vendeu nem quem comprou, porque não vamos achar mais quem fez essa arte há dez anos'', disse o delegado.
Em uma olhada rápida, no pátio da delegacia, Pinheiro avaliou a situação do Fusca: os pneus estão carecas, falta a lataria protetora do motor, a parte interna está boa, as calotas, faróis e espelhos são originais. O motor falhou um pouco. Pinheiro deu uma geral no motor, recarregou a bateria, fez uma limpeza no carburador, encheu o tanque em um posto de gasolina e saiu, com seu Fusca verde-limão 1974, rumo à BR-116, com objetivo de transpor os 450 quilômetros entre Curitiba e São Caetano do Sul. ''Vou tentar chegar'', disse.


