Apólices da cidade que cheirava a dinheiro mas não tinha esgoto
Completam-se, em julho próximo, 60 anos das apólices que permitiram a Londrina ser a primeira cidade no Paraná, antes mesmo da Capital, a ter água e esgoto tratados, com o segundo melhor sistema da América do Sul. E 40 anos, em novembro, desde que o Serviço Autárquico de Saneamento (SAS) foi entregue ao Estado, perdendo o município o que poderia ser considerada talvez a sua "maior indústria" hoje. As apólices ostentam uma imagem do centro da cidade, fotografado por Wellington Werner, que conta a história.
"Ao portador desta apólice se pagará o seu valor nominal, mais os juros estabelecidos no artigo 4º da Lei nº 128, de 24 de novembro de 1951, impressa no verso." Para emitir as apólices de 1 mil cruzeiros até o montante de 60 milhões, com a finalidade de financiar obras públicas, especialmente as de água e esgoto, Londrina esperou pela autorização da Assembleia Legislativa, concedida em 16 de julho de 1952.
Em dezembro, o jovem funcionário municipal Wellington Werner recebeu uma incumbência inerente ao seu hobby de fotografar: engenheiros do Departamento de Obras e Viação (DOV) lhe pediram "um perfil do horizonte" urbano. É o que se vê nas apólices, lançadas em 31 de julho de 1953 pelo prefeito Milton Menezes. "Apólices de Londrina, dinheiro bem aplicado", a juros anuais de 10% pagáveis em prestações semestrais e resgates anuais dos títulos em prazo de 20 anos, apregoava a publicidade. "Garantidos pelo município que maiores recordes de arrecadação oferece ao Brasil."
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