Apoio para pacientes com endometriose
PUBLICAÇÃO
sexta-feira, 18 de setembro de 2015
Rafael Souza<br>Reportagem Local 
Ainda que existam poucos estudos sobre a endometriose, a doença já é considerada uma das causas para o aumento de casos de depressão em mulheres em idade reprodutiva. Considerada um mal dos hábitos modernos do universo feminino, a enfermidade pode desencadear uma série de distúrbios emocionais e levar à infertilidade. A Universidade Estadual de Londrina (UEL) está formando o Grupo de Atendimento Psicoterápico para Mulheres com Endometriose. O objetivo, segundo a psicóloga Raiana Bonatti, coordenadora do projeto, é melhorar a qualidade de vida de quem sofre com os efeitos da doença. Esse resultado é buscado por meio da troca de experiências.
"Pelos sintomas e pela demora no diagnóstico, essas mulheres tendem a desenvolver depressão, ansiedade e estresse. Temos estudos apontando a incidência, mas ainda não existem na área de intervenção. Por conta disso, decidimos criar o grupo para interagir e ajudá-las a desenvolver comportamentos preventivos, que ajudem a lidar melhor com os sintomas", explicou a psicóloga, que faz parte do programa de pós-graduação em análise do comportamento da UEL.
A endometriose se caracteriza pela presença de tecido endometrial que reveste a parte interna do útero - no lado externo do órgão reprodutor feminino, o que ocasiona uma reação inflamatória crônica. Pode se instalar também nas trampas uterinas, e em outros órgãos, como bexiga e estômago. As causas estão ligadas aos hábitos modernos, já que as mulheres engravidam menos, e também a fatores genéticos e imunológicos. Trata-se de uma patologia de difícil diagnóstico, uma vez que os sintomas podem ser confundidos com outras doenças, ou por se apresentar assintomática.
Raiana lembra ainda que o tempo médio entre o início dos sintomas e o tratamento pode levar entre dois e quatro anos. E é isso que acaba deixando portadoras e possíveis portadoras com o sistema psicológico mais fragilizado. "Em estudos na área de intervenção da psicologia, com a comparação de perfis de mulheres com endometriose e portadores com algumas outras doenças, a incidência de depressão nas que têm endometriose é maior. Outros estudos mostraram que a incidência de infertilidade é maior entre as que endometriose do que as que tem outras doenças como câncer e aids. Então, está muito relacionado tanto com os sintomas, como com o diagnóstico, que é muito impreciso. Muitos médicos ainda não conhecem e elas têm que passar por três, quatro médicos antes de ter diagnóstico certo", alerta.
A endometriose aparece em mulheres que estão no período reprodutivo e pode surgir logo após as primeiras menstruações, mas os sintomas mais fortes aparecem, geralmente, entre 25 anos e 35 anos. Cólica menstrual forte, dores na relação sexual, dor entre as menstruações, dor ao defecar ou ao urinar, sangramento presente na urina ou nas fezes, são alguns dos sintomas. A doença não tem cura definitiva, mas os tratamentos, incluindo a cirurgia, podem permitir uma melhor qualidade de vida. "Um problema que a gente identificou nas pesquisas é que ela tende a voltar. Tem mulheres que passam por três, às vezes quatro intervenções cirúrgicas, e ela volta", aponta Raiana.
A psicóloga ressalta ainda a importância do apoio familiar durante o tratamento. "Como tem a questão da fertilidade envolvida e há uma cobrança social muito forte, esse apoio é fundamental", frisa.
A previsão é de que o grupo inicie suas atividades na primeira semana de outubro. Serão oito sessões, uma por semana ainda sem um dia definido, com média de uma hora e meia e duração e sem nenhum custo para as integrantes. A capacidade de atendimento será para dez mulheres. Quem tiver interesse em se inscrever pode entrar em contato com a coordenadora pelo telefone (43) 9610-7630 ou pelo e-mail: [email protected].


