Apoio e carinho para crianças com câncer
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quarta-feira, 14 de agosto de 2013
Celso Felizardo<br>Reportagem Local 
Londrina - Na sala de estar equipada com videogames modernos ou no refeitório amplo da casa que abriga a ONG Viver, na área central de Londrina, é possível perceber o clima de interação. Pacientes e familiares de Londrina, Jaguapitã, São João do Ivaí e Ribeirão Claro conversam entre eles como em uma reunião de família. Enquanto as crianças se divertem com os brinquedos e correm por todos os cantos, as mães colocam a conversa em dia antes de encararem mais um dia de acompanhamento dos filhos em uma sessão de quimioterapia.
A entidade, que atende crianças e adolescentes com câncer, serve como base de apoio para pernoite dos pacientes, além de oferecer tratamento odontológico, psicológico, próteses, medicamentos e alimentação.
Lá dentro, todos já sabem o combinado: o "dodói" fica do portão para fora. Todos são orientados a manter o clima de alegria e a evitar ficar comentando sobre a doença. Depois de passarem por uma rigorosa entrevista, os responsáveis pelas crianças ganham uma chave do portão e podem sair e chegar como se estivessem em casa. Mas há várias normas de conduta que os adultos precisam obedecer com rigor. As crianças, não. "Elas podem bagunçar à vontade", contou o enfermeiro Élvio Garcia. "Se elas tiram as coisas do lugar, nós ficamos até mais tarde e arrumamos. Essa energia é o que queremos ver neles", completou.
Um dos mais peraltas da casa é o garoto Pablo, de 3 anos e 10 meses. A mãe Daiane da Silva Soares mora em Cornélio Procópio (Norte Pioneiro). Ela contou que o acompanhamento psicológico foi fundamental para toda a família. "Quando descobrimos a doença dele, há 10 meses, foi um baque grande. Até cair a ficha que podemos vencer demorou e só ocorreu graças à ONG", lembrou. Outro que não para um minuto é Miguel, de 3 anos, filho de Cícera Leandro Catarino, de Londrina. Mais novo da casa, ele é paparicado por todos. "O carinho que ele recebe aqui ajuda muito no tratamento", destacou a mãe.
Um dos maiores orgulhos dos funcionários da ONG é a recuperação de Rafael, de 6 anos. Aos quatro, ele passou por momentos difíceis internado na Unidade de Terapia Intensiva (UTI) do Hospital Infantil, em Londrina. Atualmente, em nada lembra o menino apático daquele tempo. A mãe, a secretária Valéria Simione Ribeiro, moradora em Jaguapitã (Região Metropolitana de Londrina), encontrou na ONG o apoio que precisava para vencer a luta. "Aqui eu encontrei abrigo. Fazia refeições, tomava banhos. Hoje, felizmente, nossa hospedagem é de apenas uma vez por semana".
Se os exemplos de superação e final feliz são muitos, também não são raros os casos de crianças que morrem durante o tratamento. "Estamos juntos com a família até o fim. Se fosse possível, é claro que queríamos a cura de todos, mas na vida real as histórias tristes também existem", lamentou Garcia.


