Apoio da comunidade é termômetro
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terça-feira, 27 de dezembro de 2016
Simoni Saris<br>Reportagem Local 
A unidade de saúde de Cambé (Região Metropolitana de Londrina) já conseguiu alguns avanços desde o início da intervenção judicial, em 2012. Além da melhora no ambiente de trabalho, a interventora da Santa Casa de Misericórdia, Maria das Mercês Peixoto, destaca a ampliação dos serviços, as reformas da maternidade e da enfermaria e a aquisição de equipamentos que geraram economia e maior segurança ao hospital, entre eles um tanque de oxigênio líquido e um gerador. As escalas dos médicos também foram fechadas e houve remanejamento e contratação de funcionários.
O número de leitos na maternidade subiu de quatro para 13 e, na enfermaria, após a reforma, serão 34 leitos. Hoje são 22. "Uma coisa que foi bem importante nesses quatro anos é que temos conseguido resgatar a credibilidade do hospital e a gente consegue ver isso pelo próprio feedback que a população vem nos dando. A população liga querendo ajudar e tem ajudado muito. As reformas da maternidade e da enfermaria foram foram feitas com doação porque os repasses que recebemos são para manutenção do hospital", disse Maria das Mercês. A Santa Casa atende hoje mais de 2,1 mil pessoas por mês, entre pacientes de Cambé e de municípios vizinhos.
Para a equipe que administra o Hospital São Rafael, em Rolândia (RML), a ajuda da comunidade também serve como termômetro para medir a satisfação dos pacientes com o serviço oferecido. A unidade conta com doações de igrejas, que arrecadam alimentos e fazem rifas e promoções em benefício do hospital. Parte do dinheiro do 13º dos funcionários foi arrecadado em uma rifa promovida pelo Conselho dos Pastores e algumas paróquias coletaram dinheiro para comprar tecidos em quantidade suficiente para triplicar o enxoval do hospital, reduzindo o tempo de funcionamento da lavanderia, o que deve gerar economia à instituição, e 80% dos custos com alimentação são cobertos pelas doações. "O hospital nunca vai ser superavitário. Nós vamos sempre precisar da ajuda da comunidade", ressaltou o diretor administrativo, Nilson Giraldi.
ACOMPANHAMENTO
"O Hospital São Rafael já esteve próximo de fechar e a mudança hoje, é clara e evidente. A gente percebe uma redução no número de queixas dos usuários e pela primeira vez, nos últimos anos, o hospital está perto de uma situação confortável", avaliou o prefeito de Rolândia, Luiz Francisconi Neto (PSDB). Com a renovação do certificado de filantropia é considerada por ele uma das conquistas mais importantes desde que a instituição ficou sob intervenção porque o município voltará a receber verbas das emendas parlamentares depois de oito anos sem poder contar com esses recursos. "A expectativa para 2017 é poder fazer investimentos, comprar equipamentos e dar condições para que o hospital caminhe com as próprias pernas."
A promotora de Cambé, Adriana Lino, que acompanha mês a mês as contas da Santa Casa de Misericórdia, também está otimista em relação ao futuro da instituição. "A situação financeira do hospital ainda é delicada. No início da intervenção a dívida era de R$ 12 milhões e está em cerca de R$ 6 milhões hoje. A credibilidade aumentou, a comunidade vem ajudando, mas ainda há muita coisa a fazer. Para melhorar a estrutura do hospital precisa de recursos." Segundo a promotora, com as ações já judicializadas ou em fase de judicialização, o MP pede a restituição de R$ 1 milhão que foram desviados pela administração anterior. (S.S.)


