Apoio a migrantes
Os filhos dos trabalhadores que se mudam do Nordeste do Brasil para a região de Paranavaí (Noroeste), onde encontram colocação na colheita da cana, enfrentam um processo de adaptação que inclui defasagem de conteúdos, diferença de alimentação e até mesmo do clima. ''São crianças que vêm de uma realidade muito diferente'', analisa a secretária de Educação e Cultura de Tamboara, Maria Vanilda Leal Zanini. ''Além disso, como os alunos migrantes nem sempre são contados pelo censo escolar, acabam gerando uma demanda por recursos que não foram previstos no orçamento.''
A solução para promover a adaptação é o atendimento individual no contraturno. Como muitos meninos e meninas enfrentam atraso no desenvolvimento cognitivo por falta de estimulação adequada e até mesmo desnutrição, os casos de maior comprometimento são encaminhados para a Associação de Pais e Amigos de Excepcionais (Apae). ''Fazemos um trabalho de estimulação para recuperar atrasos principalmente na fala e na linguagem'', explicou a diretora da instituição, Cristiane Rocha Beltrane.
Atividades realizadas com grupos de mães também são oferecidas para garantir a eficácia no atendimento. Além disso, as crianças são encaminhadas para o ensino regular. ''Essas famílias ficam no município de um a dois anos e depois voltam para o Nordeste. Se elas não tiverem continuidade no acompanhamento, o trabalho se perde.''
Aniele, 7 anos, veio do Piauí com a família no início do ano e ainda se espanta com as boas condições da escola onde estuda. ''Lá no Piauí era pequena, só tinha três salas'', contou. Ela também classificou as aulas como ''mais difíceis''. ''O bom é que a professora daqui é mais legal.'' A menina conta que aprendeu a ler e ''desenvolveu bastante'' em Tamboara, onde a família deve passar 5 anos e depois retornar ao Nordeste. ''Gosto daqui, mas tenho saudade do resto da família.'' (C.A.)





