O ressoar de um pequeno sino é a senha de que a terapia grupal teve início. Na sequência, as poucas pessoas presentes se cumprimentam e leem juntas um boletim com os 12 passos a serem seguidos para superar os problemas enfrentados por quem convive com dependentes de bebidas alcoólicas. Depoimentos pessoais com detalhes chocantes de traumas causados pela embriaguez de familiares e amigos geralmente terminam com lágrimas derramadas pelo depoente e compaixão por parte dos demais participantes, que já vivenciaram situações semelhantes. A sessão é finalizada após a leitura de trechos de obras literárias que falam sobre o alcoolismo e a reza em conjunto de uma pedindo serenidade.
Essa é a dinâmica básica das reuniões semanais do Grupo Familiares Al-Anon, realizadas todas as sextas-feiras na Catedral de Londrina. O objetivo da iniciativa, que começou nos Estados Unidos há mais de 60 anos, é resgatar a autoestima de quem convive com pessoas que abusam das doses de bebidas alcoólicas e da paciência de seus familiares e amigos. ''Seguimos orientações básicas que nos ensinam como lidar a doença que é o alcoolismo. Geralmente as pessoas não se dão conta de que estão lidando com uma pessoa que está doente e acabam se frustrando com falta de perspectiva de mudança por parte dos alcoólicos'', destaca Ivone, coordenadora do grupo que existe há 18 anos em Londrina.
Inaceitável
Entre as propostas do grupo está o fato de não aceitar o inaceitável. ''É preciso saber ter atitude. Ninguém é obrigado a atender as necessidades de quem está embrigado. A recomendação é evitar provocações durante o tempo em que a pessoa está sobre o efeito da bebida para evitar maiores confusões e deixe para conversar sobre os danos causados pelo alcóol quando a pessoa estiver sóbria'', destaca a coordenadora.
Outro ponto bastante enfatizado durante as reuniões é que a responsabilidade pelos atos da pessoa que bebe é somente dela e não da família. ''Não adianta ficar se culpando. É importante mostrar à pessoa que bebe o que ela está fazendo com a própria vida. Isso inclui não encobrir seus atos. Por exemplo, se a pessoa chegou bêbada e caiu na calçada de casa, os familiares devem deixar pessoa caída para que ela acorde e após o efeito da bebida perceba o mal que está fazendo a si mesma'', diz Ivone.
Procurar ajuda é outra recomendação do grupo. ''É comum a esposa tentar esconder do pai, mãe e amigos a situação enfrentada em casa com o marido alcoolista por sentir vergonha da situação. Não precisa escancarar o fato, mas é importante procurar ajuda para superar essa condição. A gente não deve se cansar de procurar soluções, pois quem bebe não se cansa nunca de beber.''

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