Entidades querem saber quais garantias terão os moradores do Residencial Flores do Campo após desocupação
Entidades querem saber quais garantias terão os moradores do Residencial Flores do Campo após desocupação | Foto: Reprodução/Facebook/Ocupação Flores do Campo



Representantes e apoiadores dos moradores do Residencial Flores do Campo vão pedir para que a Justiça Federal faça com que o poder público garanta um destino digno para as cerca de 160 famílias que permanecem no local. A reunião está marcada para as 14h30 de segunda-feira (19), na 2ª Vara Federal. A data prevista para a reintegração de posse é quarta-feira (21), quando termina o prazo de 90 dias concedido pela Justiça para que elas deixem os imóveis.

Segundo Autieres Oliveira Costa, um dos apoiadores das famílias, o pleito é conseguir intermediar uma conversa com o poder público para discutir quais os encaminhamentos previstos para os moradores. Essa tentativa vem depois que uma reunião que deveria ocorrer no último dia 8 foi desmarcada na véspera pela administração municipal. O encontro foi convocado pela Defensoria Pública da União e teria a presença dos moradores, da Justiça Federal, do Ministério Público Estadual e Federal, da Caixa Econômica Federal, da Companhia Municipal de Habitação (Cohab) e da Polícia Militar, entre outros. "A reintegração não pode ocorrer sem a remoção das famílias para um lugar digno. Esperávamos que haveria mais cuidado [por parte da administração municipal], mas não foi o que percebemos", afirma.

O grupo de apoiadores do movimento também deve pedir garantias de que a ação de desocupação ocorra com o acompanhamento de jornalistas que queiram cobrir as ações de perto. "No plano de reintegração anterior, a PM colocou que, para a garantia da própria operação, não seria conveniente, em termos do procedimento deles, que a reportagem estivesse dentro do Flores do Campo, mas a gente sabe que isso é para que não seja gravada a forma como vão atuar ali dentro", disse Costa.

Com 1.218 unidades e orçado em R$ 82 milhões, o Residencial Flores do Campo é um dos maiores empreendimentos do programa Minha Casa, Minha Vida. Entretanto, no segundo semestre de 2016, a construtora responsável abandonou a obra incompleta e sem pagar funcionários. Naquele mesmo ano, o local foi ocupado por moradores sem-teto.

Costa afirma que o prazo dado para a desocupação, há quase 90 dias, não era apenas para que as famílias saíssem, mas também para o poder público programar ações assistenciais para os moradores que não têm para onde ir. "O poder público tem que garantir algum meio. Não pode simplesmente jogar as pessoas nas ruas", explica.

A FOLHA tentou contato com a secretária de Assistência Social, Nádia Moura, para saber quais os planos para as famílias após a desocupação, mas ela não foi encontrada.

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