A apnéia do sono atinge cerca de 5% da população masculina de Curitiba com mais de 30 anos de idade, mas pouca gente que tem o problema se dá conta disso, embora sofra seus efeitos no dia-a-dia. O problema é caracterizado pela interrupção da respiração durante o sono. Torna-se preocupante quando as interrupções ocorrem mais de dez vezes em uma hora, cada uma com duração superior a dez segundos. Cerca de 5 mil pessoas fizeram ontem na Rua das Flores exames que alertam para a doença, numa iniciativa do curso de Fisioterapia da Uniandrade.
As interrupções na respiração durante o sono provocam uma série de consequências, que vão do cansaço, dor-de-cabeça, irritação e falta de concentração até complicações cardíacas. ‘‘Detectamos casos em que a pessoa fica até 1 minuto e 20 segundos sem respirar. Ela pode ter um infarto do miocárdio pois, num momento em que deveria estar trabalhando num ritmo mais lento, o coração é levado a uma sobrecarga para compensar a falta de oxigênio no sangue’’, explica Marcelo Xavier, coordenador do curso de Fisioterapia da Uniandrade.
Ronco, excesso de pesso, pescoço curto e grosso e abdomem mais largo que o quadril são indicativos de que a pessoa pode ter apnéia do sono. ‘‘Nem todo indívíduo que ronca tem apnéia, mas todos os que têm apnéia roncam’’, diz Xavier. ‘‘As pessoas que sofrem desse mal não conseguem atingir o sono profundo e passam o dia seguinte irritadas, agressivas e com dificuldade de se concentrar’’, acrescenta.
A apnéia é causada pelo fechamento das vias respiratórias superiores, decorrente de sua flacidez (que também provoca o ronco), ou pela falta de impulso neurológico até a musculatura respiratória. No primeiro caso, a cura vem com uma cirurgia que retira as partes flácidas das vias respiratórias. No segundo caso, deve ser tratada por neurologistas. ‘‘A fisioterapia tem obtido bons resultados, com exercícios que fortalecem a musculatura envolvida na respiração’’, diz Xavier.

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