Da Redação
Pais de alunos do Colégio Estadual Professor Vicente Rijo, na área central de Londrina, se queixam de estar sendo constrangidos a efetuar o pagamento da taxa de contribuição, paga no ato matrícula. Além da obrigatoriedade, os pais questionam também o valor de R$ 15,00 – nos outros estabelecimentos o valor é de R$ 5,00 ou R$ 10,00.
Uma mãe, que pediu para não ser identificada, contou que tem dois filhos estudando no colégio. Ela disse que o marido passa por dificuldades financeiras e, por isso, não poderia pagar a taxa. ‘‘Liguei para a Associação de Pais e Mestres (APM), mas disseram que não abrem mão da taxa.’’
De acordo com a mãe dos dois alunos, ela acabou ‘‘fazendo um sacrifício’’ e pagando a taxa. ‘‘Se eu procurasse o Procon, por exemplo, para questionar a taxa, meus filhos seriam perseguidos’’, justificou.
No colégio, as pessoas que alegam não poder pagar a taxa são orientadas a procurar o presidente da APM, Edmilson Montenegro Junior. Foi o caso do aposentado Waldomiro Polimeni, que tem dois filhos no estabelecimento. Anteontem, ele foi fazer a matrícula de um dos filhos, mas alegou que não tinha R$ 15,00.
‘‘O senhor pode pagar R$ 5,00 agora e pagar o restante depois’’, propôs Montenegro Junior. Polimeni aceitou, apesar de ressaltar que não concordava com a taxa. ‘‘Não haveria necessidade se o governo fizesse menos propaganda e gastasse mais na educação’’, criticou.
O presidente da APM confirmou que a associação não abre mão da taxa. ‘‘O pai pode pagar em 10, 12 vezes, mas não estamos concedendo a isenção’’, afirmou. ‘‘Damos o recibo para os pais e eles podem até descontar do imposto de renda.’’
Montenegro Junior explicou que o valor foi decidido em assembléia e lembrou que a taxa de contribuição é uma das formas que a APM tem para a arcar com despesas de manutenção da escola. O Vicente Rijo, segundo ele, tem cerca de 3.500 alunos.
O ouvidor do Núcleo Regional de Educação (NRE), José Carlos Rodrigues Pereira, lembrou que a contribuição para a escola pública é legal, desde que seja voluntária. O valor não pode ultrapassar a 10% do salário mínimo. ‘‘O que não pode acontecer é o aluno ter a matrícula negada pelo não-pagamento da taxa’’, ressaltou. Segundo Pereira, neste ano ele recebeu alguns telefonemas de pais pedindo orientação sobre o assunto, mas nenhuma reclamação.Pais reclamam de associação de pais e mestre, que não isenta taxa de matrícula
Fotos Mário CesarPAGAMENTO OBRIGATÓRIOPais matriculam filhos no Colégio Vicente Rijo. Taxa de contribuição de R$ 15,00 não é isentada pela APM. Abaixo, o presidente da associação, Edmilson Montenegro

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