APM ameaça levar atraso da merenda para a Justiça
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sexta-feira, 15 de setembro de 2000
Betânia Rodrigues De Londrina 
O atraso constante na entrega da merenda escolar em Londrina pode virar caso de Justiça. Sonia Maria Anselmo, presidente da Associação de Pais e Mestres (APM) da Escola Estadual Professora Lúcia Barros Lisboa, no Conjunto Vivi Xavier, zona norte da cidade, pretende reunir representantes da APM de várias escolas e pedir providências ao Ministério Público. Segundo ela, o problema existe desde o início do ano e vem gerando reclamações de pais e alunos. Na segunda-feira, o grupo tem uma reunião com a promotora da Vara da Infância e Juventude, às 9 horas. Na terça-feira tínhamos apenas banana para dar aos alunos, disse a dona de casa, que há seis anos preside a APM.
Em Londrina, a merenda escolar é municipalizada há dois anos. São 1.173.941 refeições mensais para 74.032 alunos da educação infantil e rede fundamental de ensino. Para isso, a prefeitura recebe do Fundo Nacional de Desenvolvimento Educacional (FNDE) uma verba de R$ 171.080,00 mensais distribuídos entre 63 escolas municipais, 29 rurais, 68 estaduais, duas federais e 36 entidades filantrópicas. Para cada aluno da rede fundamental é estipulado R$ 0,13 por refeição e na educação infantil R$ 0,06, conforme dados fornecidos por Neide Alves Silva, funcionária da gerência do Programa Municipal de Alimentação Escolar.
No Colégio Estadual Hugo Simas a merenda dura, no máximo, duas semanas, segundo a diretora Ubiracy Cleusa Lobo Moreira Silva. Para cobrir o déficit a escola conta com doações de hortifrutigranjeiros de um supermercado vizinho, verba do fundo rotativo enviado pela Fundepar, dinheiro arrecadado pela APM com o aluguel da cantina e do espaço para publicidade.
Somente no mês passado é que os diretores das duas escolas tomaram conhecimento da existência do Conselho Municipal de Merenda Escolar, que funciona desde 98. Luiz Antonio Sartorelli, da Escola Estadual Lúcia Barros Lisboa, disse que muitas vezes é obrigado a usar seu carro para buscar a mercadoria que nem sempre chega de uma vez só.
De acordo com a funcionária do Programa de Alimentação Escolar, o atraso na entrega das mercadorias deve-se, principalmente, às chuvas e à precariedade dos veículos disponíveis. Além disso, os fornecedores atrasaram a remessa em um mês, disse.


