Aquisição de livros em nome de uma cooperativa inexistente e dinheiro do aluguel de salas para o vestibular depositado em conta pessoal. Estas são algumas das irregularidades que, segundo a ex-diretoria da Associação de Pais e Mestres (APM) da Escola Estadual Gabriel Carneiro Martins, localizada no Jardim Bancários, (zona oeste de Londrina), foram cometidas pela diretora da instituição, Irene Ortiz.
Uma das possíveis irregularidades apontada por integrantes da antiga diretoria da APM é com relação à aquisição de livros junto à editora FTD. Segundo a ex-tesoureira da associação, Deisy de Freitas, a compra de livros aconteceu em março do ano passado, mas eles só ficaram sabendo disso no segundo semestre. Na ocasião, durante uma reunião, a diretora teria falado que o dinheiro do programa Acorda Brasil poderia ser usado para quitar o débito junto à editora.
‘‘Primeiro ela disse que a dívida era de mais ou menos R$ 2 mil, depois disse que era de R$ 700,00’’, relata. Questionada sobre o assunto, a diretora teria contado que a aquisição foi feita pela cooperativa da escola que tinha o mesmo CGC da APM. ‘‘Ela fez uma compra irregular utilizando uma cooperativa que não existe’’, observa Antonio Lucimar Ferreira Luiz, pai de um aluno.
A antiga diretoria da APM procurou a editora, que informou que o débito já havia sido encaminhado para uma empresa de cobrança e os títulos estavam em cartório. Segundo Deisy Freitas, a diretora alegou que a dívida aconteceu porque alguns alunos não pagaram pelos livros, mas ela não quis fornecer a lista dos devedores. Ao final, contam os ex-diretores, a diretora acabou emitindo cheques de sua conta corrente particular para quitar o débito.
Os ex-integrantes da associação explicam ainda que a diretora ficou com parte da contribuição espontânea de pais de alunos e que a movimentação financeira da cantina da escola não constava nos documentos fornecidos. Deisy de Freitas diz ter solicitado o controle das contas, mas até agora ela não entregou nada.
A situação do aluguel de salas para a Universidade Estadual de Londrina (UEL) é outro ponto questionado pela antiga diretoria. Mostrando cópia conseguida junto à universidade, Deisy de Freitas explica que o valor (R$ 725,00) foi depositado na conta corrente particular de Irene Ortiz. Além disso, eles querem obter informações sobre o valor enviado pelo Proem para reforma na escola. Deisy de Freitas e Antonio Luiz confirmam que algumas obras foram realizadas, mas afirmam que não têm detalhes sobre quanto custou e o que foi feito.
Todas estas informações estão contidas em um documento encaminhado ao Núcleo Regional de Ensino (NRE) e à Secretaria Estadual da Educação, pedindo providências. Deisy de Freitas explica que o ofício para o NRE foi encaminhado em novembro do ano passado. ‘‘Esperamos até o dia 9 de fevereiro e resolvemos ligar para a Genoveva (Maria Genoveva Belucci, chefe do núcleo), que disse que foi feita uma advertência para a diretora’’, relata. A APM pediu que encaminhasse cópia da advertência, mas isso não foi feito até agora. A associação também não obteve resposta da Secretaria.
Acompanhada por vários professores, a diretora da escola Gabriel Martins, Irene Ortiz, disse que todos os esclarecimentos sobre a compra de livros e sobre a cantina foram prestados junto ao NRE, além do assunto ter sido posto aos pais em assembléia realizada no último dia 22. ‘‘Quanto ao resto, eu não tenho como me defender porque não tenho conhecimento sobre o teor das denúncias. Então, não posso falar sobre um assunto que não conheço’’, afirma.
Segundo a professora Ângela Sabatti, membro da antiga e da atual diretoria da APM - que foi eleita e empossada durante assembléia, na segunda-feira -, as reclamações da antiga diretoria não são procedentes. ‘‘O problema é de cunho político. Eu percebi isto e acabei por me afastar da antiga diretoria por não concordar. Eu acho que a escola e a APM têm que trabalhar em conjunto, independentemente de interesses pessoais’’, explica.
A Folha tentou ouvir ontem à chefe do NRE, Maria Genoveva Belucci, mas ela não retornou as ligações. (Colaborou Telma Elorza)Cesar AugustoBroncaEx-tesoureira da APM, Deisy de Freitas, acusa diretora de ter desviado parte da contribuição espontâneaLucilia Okamura

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