Aplicativo 'superviciante' incentiva roubo
Para a psicopedagoga Laísa Costa Bonini, dedicar-se tanto a jogos virtuais pode representar uma fuga da realidade, tanto para crianças e adolescentes quanto para adultos. ''Na própria divulgação do Colheita Feliz, os idealizadores citam que é um jogo superviciante e que você pode invadir a fazenda do amigo para roubar. Se analisarmos, vício e roubo já são conceitos contrários às regras sociais e por isso participar de um jogo como este não pode ser tão positivo'', comenta.
Segundo Laísa, apesar de desenvolver habilidades financeiras, criatividade e cuidado com animais, o jogo não é apropriado para crianças justamente por ser um aplicativo de um site que é proibido para menores de 18 anos. ''Se as crianças têm acesso a este tipo de site, podem acessar outros conteúdos impróprios para a idade'', justifica.
Acompanhamento constante dos pais é fundamental para garantir um bom uso da internet pelos jovens, inclusive de jogos aparentemente inofensivos como este. ''Crianças ainda estão formando o caráter e inconscientemente acabam levando as regras do jogo para o convívio familiar e social'', aponta a psicopedagoga, assinalando que os pais também encaram o entretenimento virtual apenas como mais um jogo.
''É cômodo, a criança fica dentro de casa, quietinha na frente do computador'', diz Laísa, alertando que o uso excessivo do computador tem acarretado, inclusive, problemas de saúde ligados à visão, coluna e até obesidade. ''Sou a favor de as crianças terem acesso ao computador desde pequenas, mas com limite e sob a supervisão dos pais. Mas tão importante é brincar ao ar livre com os amigos'', ensina.
Para ela, também pode ser papel da escola incluir jogos virtuais no conteúdo pedagógico, facilitando a inclusão tecnológica. ''Assim a criança não procura o jogo errado'', completa a psicopedagoga, lembrando que até os adultos deveriam substituir o passatempo virtual por atividades reais. ''Só assim eles deixam de fugir da realidade para experimentar emoções reais, com consequências verdadeiras para a vida'', finaliza. (M.G.)





