Aplicativo oferece interação entre pacientes surdos e dentistas
O aplicativo OdontoLibras, idealizado e desenvolvido pela UEL (Universidade Estadual de Londrina), oferece interação entre pacientes surdos e dentistas, por meio de ilustrações e uma interface toda pensada na acessibilidade, e traduções em Libras.
PUBLICAÇÃO
terça-feira, 31 de dezembro de 2019
O aplicativo OdontoLibras, idealizado e desenvolvido pela UEL (Universidade Estadual de Londrina), oferece interação entre pacientes surdos e dentistas, por meio de ilustrações e uma interface toda pensada na acessibilidade, e traduções em Libras.
Camila de Fatima Rosa 
Para uma pessoa com dificuldades na audição, inúmeras dificuldades fazem parte da rotina. Assim como os ouvintes, a comunidade surda conta com uma linguagem própria de sinais e expressões específicas para a comunicação. Na convivência diária, há necessidade de intérpretes para auxiliar na tradução para a linguagem de sinais. Um exemplo é a falta de autonomia para ir a uma consulta médica ou odontológica.
Preocupada com o problema, a professora Elisa Tanaka Carloto, do CCS (Centro de Ciências da Saúde), da UEL (Universidade Estadual de Londrina), foi uma das criadoras do OdontoLibras, aplicativo que proporciona a comunicação entre o paciente surdo e o dentista.
"Mesmo falando Libras, o dentista não entende tudo o que o paciente quer dizer. E não há intérpretes o tempo todo”, ressalta a professora. A ideia de criação do aplicativo partiu da cirurgiã-dentista Valéria Avelar em 2016, que na época foi orientanda da professora Maria Celeste Morita no Programa de Mestrado em Odontologia na UEL.
Avelar dedicou dois anos do mestrado à criação e ao aperfeiçoamento do aplicativo. “O mestrado é pago, nós recebemos para estudar, e devemos devolver à população”, afirma. Hoje, Avelar faz doutorado em Maringá, mas continua com sua pesquisa.
No início dos estudos para a criação do aplicativo, o curso de Ciências da Computação da UEL desenvolveu primeiro o software para computadores e, na sequência, o aplicativo para celulares, que está disponível somente em smartphones. O design e imagens foram criados pelo curso de Design Gráfico da instituição.
Surdos da comunidade externa foram convidados para testar e fornecer feedback para proporcionar melhorias no aplicativo, e assim alguns comandos foram aprimorados.
Avelar ressalta que os sinais para o aplicativo são novos e foram criados pelo professor Antônio Almeida, do Departamento de Educação da UEL, que é surdo, junto com a intérprete Thalita Rocha Marandola, estudante de doutorado na área de Saúde Coletiva. “Eles tiveram que praticamente fazer um curso de odontologia, conheceram os objetos e suas funções”, comenta Avelar, que explica que não havia sinais para termos odontológicos, por isso, a contribuição de Almeida foi essencial, uma vez que sinais novos só podem ser criados por surdos.
Almeida foi responsável por fazer as traduções para Libras, e também é o “modelo” do aplicativo, já que os avatares de outros aplicativos não conseguiam reproduzir expressões faciais. “O visual foi muito importante, pois há palavras que a comunidade surda não compreende, então para o surdo, a imagem é importante”, comenta o professor.
O aplicativo oferece funções básicas para dentistas que não possuem fluência na linguagem de sinais, como saudação de “bom dia" e "sente na cadeira”. Ao abrir o aplicativo, o paciente preenche informações básicas como nome e CPF e, na sequência, há uma entrevista, com questões sobre alergias e doenças anteriores.
Dessa forma, ao final da consulta, um prontuário é gerado, sendo possível imprimi-lo. Há também o ícone “consultas”, que permite tanto ao paciente surdo quanto ao dentista esclarecer alguns termos odontológicos. Tudo com aparato visual e com vídeos em Libras. Ao final da consulta, o dentista pode, com ajuda do aplicativo, explicar todos os tratamentos após o atendimento.
“A universidade tem um compromisso social, compromisso de retorno à sociedade no desenvolvimento de novas tecnologias”, destaca Elisa Tanaka Carloto. O projeto contou com apoio de entidades como a UNA-SUS (Universidade Aberta do SUS), Abeno (Associação Brasileira de Ensino Odontológico) e UFMA (Universidade Federal do Maranhão), que também contribuem na divulgação do aplicativo para estudantes e dentistas.
Supervisão:
Fernando Rocha Faro – Editor de Geral


