Com a umidade e o calor típicos do verão, tornam-se mais comuns as ''visitas'' de pernilongos, mosquitos e outros insetos. A solução é recorrer a inseticidas de uso doméstico, no formato aerossol ou naquela conhecida estrutura com pastilhas para ser colocada na tomada. Entretanto, é necessário estar atento à escolha do produto e à aplicação correta - qualquer negligência pode gerar problemas.
Em todo o ano passado, o Centro de Controle de Intoxicações (CCI) do Hospital Universitário (HU) de Londrina recebeu 24 casos de contaminação por inseticidas de uso doméstico. É pouco dentro do total de intoxicações registradas - 1.525 ocorrências -, mas, segundo a farmacêutica Conceição Turini, coordenadora do CCI, tal dado não traduz a realidade de forma fiel.
''Em alguns casos, a pessoa intoxicada é levada a outro atendimento de saúde que não o centro do HU. Em outros, não procura atendimento. Não há notificação da ocorrência e fica difícil apontar quantas pessoas realmente foram vítimas de intoxicação com inseticidas domésticos'', explica ela. Produtos do tipo passam por inspeção da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa), que utiliza parâmetros de análise rigorosos.
No ano passado, 60 inseticidas tiveram comercialização suspensa após portaria do órgão federal, por conterem o princípio ativo clorpirifós, considerado de alto risco à saúde, principalmente de crianças. Segundo Andersen Santos de Morais, técnico da gerência geral de saneantes da Anvisa, por vezes acontecem casos de produtos que chegam às prateleiras sem aprovação do governo federal, mas são raros.
''Alguns fabricantes, por desconhecimento ou má fé, não enviam a nova formulação de inseticidas à agência. Tais produtos podem não corresponder aos nossos critérios'', diz o técnico. Nestas situações, os fabricantes e os revendedores podem ser acionados na Justiça devido à comercialização dos inseticidas.
Morais defende que os princípios ativos dos produtos são reavaliados com frequência pela Anvisa e que são vetadas substâncias com propriedades cancerígenas, mutagênicas ou que possam causar má formação do feto. O chefe da Vigilância Sanitária da Secretaria Municipal de Saúde, Marcelo Viana de Castro, alerta que os consumidores devem comprar apenas produtos que tenham número de registro no Ministério da Saúde. A Anvisa mantém um banco de dados com nomes de inseticidas de venda permitida em seu site (www.anvisa.gov.br).
Alguns inseticidas com venda liberada, como aerossol com piretróides (um princípio ativo comum), não são recomendados para aplicação em locais com pessoas asmáticas e podem causar alergias - tal informação deve constar no rótulo. ''O uso correto é fundamental. Deve-se aplicar o aerossol com a distância apropriada (conforme instruções da embalagem), nunca perto de alimentos, e manter os inseticidas longe de crianças e animais domésticos'', explica Castro. ''O ideal é aplicar o produto em ambientes onde não haja pessoas e dar um tempo para o inseticida se espalhar'', complementa Conceição.
O uso incorreto pode causar distúrbios respiratórios e erupções na pele; irritação ocular, infecções e lesão de córnea (no contato com os olhos); problemas no sistema nervoso central e convulsões (quando ocorre ingestão).

mockup