Apiesp quer mudar projeto da Unespar
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terça-feira, 21 de agosto de 2001
Sid Sauer<BR>De Campo Mourão 
A Associação Paranaense das Instituições de Ensino Superior Público (Apiesp) enviou ofício ao presidente da Assembléia Legislativa, Hermas Brandão, sugerindo três emendas ao projeto de lei que cria a Universidade Estadual do Paraná (Unespar). Uma delas pede que a sede da instituição seja em Curitiba e não em Jacarezinho, como prevê a proposta em tramitação.
A presidente da Apiesp e reitora da Universidade Estadual de Maringá (UEM), Neusa Altoé, disse, através de sua assessoria de imprensa, que a entidade defende a sede em Curitiba porque a capital do Estado pode centralizar melhor a instituição. Segundo ela, em Curitiba estão todas as secretarias de Estado e o Tribunal de Contas e, por questão administrativa, ficará mais fácil para as faculdades que formarão a Unespar encaminharem documentos.
A Apiesp também quer mudar o artigo do ante-projeto que determina que a estrutura organizacional básica e a definição de atribuições da Unespar sejam estabelecidas em estatuto aprovado através de decreto do governador. A proposta da associação é para que isso seja feito em estatuto elaborado pelas 11 faculdades com a participação da Apiesp.
A terceira emenda proposta pela associação pede que, até a instalação da Unespar, o governo do Estado designe o reitor e o vice-reitor da instituição entre os dirigentes das 11 faculdades que formarão a nova universidade. Pela proposta em tramitação na Assembléia, o governador poderá nomear qualquer representante do governo para a direção.
Na semana passada, uma caravana com lideranças políticas e empresariais de Campo Mourão questionou o governador Jaime Lerner sobre a escolha de Jacarezinho para ser a sede da Unespar. Lerner disse que o projeto ainda precisa ser melhor discutido. ''Ele deixou claro que nada está definido'', disse o vice-prefeito de Campo Mourão, Getúlio Ferrari Júnior (PPS).
A comitiva mourãoense foi ao Palácio Iguaçu porque o governador havia proposto um novo modelo de universidade para Campo Mourão depois que ele vetou, no ano passado, o projeto que transformava a faculdade estadual do município (Fecilcam) em universidade (Unescam). A direção da Fecilcam informou que aceita compor a Unespar, mas desde que tenha autonomia.
As lideranças de Campo Mourão levaram ao governo do Estado a informação de que para compor a Unespar a Fecilcam precisa da garantia de que terá autonomia ''em todos os sentidos'', que terá mais recursos e que ainda em 2002 sejam implantados os cursos de engenharia eletrônica e engenharia mecânica, além da realização de concurso público para contratação de professores.
A Folha tentou ouvir o secretário de Estado de Ciência e Tecnologia, Ramiro Wahrhaftig, sobre as alterações propostas pela Apiesp, mas a assessoria de imprensa informou que, como o projeto de criação da Unespar já está em tramitação na Assembléia Legislativa, não cabe mais à Secretaria se manifestar sobre o assunto, mas sim aos deputados.


