Apiesp critica incorporação de faculdades
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segunda-feira, 26 de maio de 2003
Luciano Augusto e Luciana Pombo<br> Reportagem Local 
Curitiba O secretário de Estado da Ciência e Tecnologia, Aldair Rizzi, disse ontem que está trabalhando num projeto de reestruturação das 11 faculdades públicas que compõem atualmente a Universidade Estadual do Paraná (Unespar). Essas instituições seriam incorporadas às universidades estaduais já existentes que estiverem mais próximas geograficamente. A proposta foi muito criticada pelas direções das faculdades públicas ligadas à Unespar.
Pelo projeto, a Faculdade Estadual de Ciências Econômicas de Apucarana (Fecea) seria incorporada a Universidade Estadual de Londrina (UEL); a Faculdade Estadual de Ciências e Letras de Campo Mourão (Fecilcam) e a Faculdade Estadual de Paranavaí (Facipa) seriam anexadas à Universidade Estadual de Maringá (UEM); a Faculdade Estadual de União da Vitória e a Faculdade Estadual de Paranaguá seriam incorporadas na estrutura da Universidade Estadual de Ponta Grossa (UEPG). A Faculdade de Artes do Paraná (FAP) e a Escola de Música e Belas Artes do Paraná (Embap) ambas com sede em Curitiba serão transformadas numa única faculdade que poderá ser campus da UEPG ou da Universidade Federal do Paraná (UFPR). ''Ainda estamos em negociação'', afirmou Rizzi.
A Associação Paranaense das Instituições de Ensino Superior Públicas (Apiesp) rechaçou o projeto de incorporação, durante reunião realizada no último dia 21 de maio. Além da perda de autonomia e da identidade regional já consolidadas, as faculdades temem serem transformadas em centros de extensão.
O reitor da Universidade Estadual do Centro-Oeste (Unicentro), em Guarapuava, e presidente da Apiesp, Carlos Alberto Gomes, encaminha hoje, ao secretário estadual Aldair Rizzi, o documento com o posicionamento de cada uma das instituições. ''Queremos discutir antes o projeto para termos uma posição mais clara. Ainda falta informação sobre como será essa encampação'', resumiu. Informalmente, o secretário já conhece as ''resistências e receios'' das faculdades isoladas.
O diretor da Fecea, Wanderlei Ceranto, afirmou que a comunidade é totalmente contrária ao projeto do governo. Ele disse que o secretário esteve em Apucarana discutindo o proposta mas não a apresentou integralmente. ''Estamos em compasso de espera. Nos bastidores dizem que não há perda de autonomia, mas como não conhecemos o projeto, não sabemos o que pode acontecer'', comentou o diretor, que comanda a instituição com 42 anos de história, 2.376 alunos matriculados e um gasto anual de R$ 2 milhões anual, apenas com a folha de pagamento.
O mesmo entendimento teve os diretores da Fecilcam, Rubens Luis Sartori, e da Facipa, Luzia Bana. Para Sartori, a proposta compromete a identidade regional dessas faculdades, pois as jogaria numa ''vala comum'', onde os conselhos das universidades decidiriam as políticas a serem desenvolvidas. A Fecilcam tem 31 anos e um orçamento de anual de R$ 4 milhões. ''(O projeto) tem que ser discutido com a comunidade. Não concordamos em ser apenas extensão'', apontou Bana, diretora da instituição com 37 anos de existência.


