O agricultor Inelson Alberto ainda cultiva lavouras e cria gado em cerca de 5 dos 40 hectares que possui em Ilha Grande sem ser incomodado pelos ambientalistas. A casa dele é a única no arquipélago que possui energia elétrica, água encanada e telefone. A energia vem de um gerador movido a óleo diesel e de baterias. Um poço com bomba elétrica garante o abastecimento de água.
Para instalar o telefone, uma extensão da casa dele, Alberto comprou uma antena que custou R$ 2 mil. Duas famílias trabalham na posse e dois cães fila garantem a segurança. Alberto mora em Terra Roxa com a mulher e os quatro filhos, mas passa a maior parte do tempo na ilha, trabalhando.
Sobrevive da renda da propriedade, onde cria abelhas, gado de leite, planta arroz, milho, feijão e amora. É o único que cria bicho-da-seda na ilha. ‘‘A amora aqui nem precisa de adubo’’, diz. É um dos poucos ilhéus que não desanimaram diante das enchentes e dos estragos causados pelo gado criado solto no arquipélago.
Por causa desses problemas, a maioria dos moradores abandonou as ilhas. Hoje, existem menos de 100 famílias morando no arquipélago. Com a criação do parque, todos terão de sair da área. Alberto garante que sempre se preocupou em explorar a ilha sem devastar o meio ambiente. O gado ocupa uma área confinada com bebedouro.
Pensando em melhorar a qualidade do mel que produz, o agricultor plantou cerca de 800 mudas de eucalipto na propriedade. O vice diretor do Ibama não tinha conhecimento disso e advertiu que o plantio de árvores exóticas é proibida no parque. ‘‘Se ele plantou, vai ter de arrancar tudo’’, adiantou. (V.M.)

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