Curitiba - Onze assaltos em apenas um ano. Foi esse o número do ‘‘basta’’ para a família da cantora lírica Denise Sartori, que depois de tantos dissabores ficou oito anos sem descer para a praia. ‘‘Nós tiramos tudo de dentro da casa, que fica de frente para o mar, em um lugar meio deserto. Nesse tempo, ela ficou abandonada, apodrecendo’’, conta Denise, que este ano quer voltar a curtir a temporada de verão na casa de Perequê, balneário de Matinhos.
  A casa está totalmente reformada. Pintura amarela, novas portas e janelas de madeira, chão de cimento queimado decorado com peças de cerâmica, ela se preocupa com cada detalhe. ‘‘Tudo simples, barato, mas bonito’’, diz, enquanto coloca capas de algodão cru para cobrir o sofá de veludo. ‘‘Agora mandei instalar alarme monitorado, seguro contra roubo, e tem um caseiro que vem todo dia para abrir as portas e molhar as plantas’’, conta ela, que daqui para frente não quer mais se preocupar.
  Do portão para fora, no entanto, o otimismo muda. ‘‘Nosso litoral está às moscas, não tem calçamento, não tem uma passarela para chegar ao mar, e ninguém planta nada na orla’’, diz, reclamando por não ter retorno em melhorias com o dinheiro pago em impostos.
  Em Guaratuba, a família Pierolli, de Maringá, se diz satisfeita com a conservação das praias. ‘‘Não tem nenhuma obra nova, sei que estão arrumando o asfalto na descida do ferry-boat, mas a prefeitura consegue manter o local bem conservado’’, diz a estudante Karina Pierolli, que divide o guarda-sol com os pais e a irmã.
  Turistas que não têm imóvel próprio no litoral em geral se dizem satisfeitos, embora não costumem reparar muito nas condições dos balneários. ‘‘Guaratuba está de parabéns pela arborização e o calçamento na beira da praia’’, diz a auxiliar administrativo Rosane Inglês, de Campo Alegre, em Santa Catarina, que junto com familiares passou um fim de semana no litoral paranaense.
  Amauri Inglês, que é dono de açougue em Campo Alegre, conta que há seis anos prefere vir para Guaratuba, onde passa o reveillon e 15 dias da temporada. ‘‘O lugar é gostoso, mais tranqüilo do que em Santa Catarina’’, avalia. (M.G.)

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