‘‘Cerca de 95% dos acidentes aéreos ocorridos no mundo hoje têm o fator operacional como o principal item de contribuição para que aconteçam’’, disse o tenente-coronel Max Adolf Nardes, chefe da seção de prevenção de acidentes aeronáuticos da Região Sul do país, durante o 4º Encontro Paranaense de Segurança de Vôo realizado pela Unopar no sábado. O fator operacional, segundo ele, inclui não só a participação humana, de pilotos e co-pilotos em possíveis falhas, mas problemas com a infra-estrutura do setor, manutenção das aeronaves, além das condições do tempo.
  ‘‘Os aviões atuais praticamente não têm mais falhas materiais. Apenas 5% dos acidentes acontecem por defeito na aeronave’’, de acordo com Nardes. Para ilustrar, o tenente cita os acidentes ocorridos na região. ‘‘Entre os cinco acidentes aéreos ocorridos em Londrina e região desde o início do ano – três em Londrina, um em Apucarana e um e Campo Mourão – todos apresentaram falha operacional’’.
  Outra questão apontada pelo tenente está relacionada ao crescimento da aviação no Brasil, acima do que pode suportar a infra-estrutura hoje oferecida. ‘‘O setor de aviação cresce de 10% a 15% ao ano e os aeroportos não conseguem atender tal demanda’’.
  A dificuldade de fiscalizar a chamada ‘‘aviação geral’’, da qual fazem parte os pequenos aviões de propriedade particular, desvinculados de empresas ou aeroclubes, também figura entre os desafios para garantir maior segurança aérea no País. Segundo Nardes, há no Brasil 100 mil pilotos ‘‘autônomos’’, que por exigência dos órgãos reguladores brasileiros, precisam apenas de um curso obrigatório, que permite pilotar uma aeronave pequena, e a renovação da carteira uma vez ao ano. ‘‘Isso significa que eu vejo esses pilotos somente uma vez ano ano. Eles não têm obrigação de manter um setor de segurança de vôo, ao contrário do que acontece nos aeroclubes e nas empresas do setor’’.
  Quanto aos planos de prevenção para tentar garantir a segurança no espaço aéreo brasileiro, o tenente afirma que a prioridade é investir em treinamentos de pilotos e equipes, além do investimento em melhorias na infra-estrutura, em especial nos aeroportos. ‘‘O governo já se deu conta de que precisa investir no setor aéreo. Nosso papel é investigar as falhas, divulgar essas informações e emitir recomendações diretamente aos responsáveis, depois que ocorre o acidente’’.
  Apesar de todos os problemas, o tenente Nardes afirma que ‘‘é seguro voar no Brasil’’ e cita números para sustentar a afirmação. ‘‘No Brasil, ocorrem 0,5 acidentes para cada milhão de decolagens. Esse número é aceito em padrões de primeiro mundo’’.

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