Os camelôs que atuam nas avenidas Leste-Oeste e São Paulo (área central de Londrina) não escondem a apreensão com a aproximação do prazo limite estipulado pela Procuradoria Regional da República para que regularizem sua situação. A partir do dia 30 de julho, eles terão que emitir notas fiscais e trabalhar apenas com produtos de origem. Comprovar a origem dos produtos é o que mais atemoriza os 94 ambulantes da Avenida Leste-Oeste, já que quase a totalidade também trabalha com produtos vindos do Paraguai. O Ministério Público Federal promete não dar trégua e acionará Receita e Polícia federais para fiscalizar os ambulantes.
Há cerca de quatro anos, os ambulantes da Leste-Oeste trabalham com firma constituída, alvará de funcionamento, mas quando questionados sobre como comprovar a origem dos produtos vindos do Paraguai, muitos são evasivos. O ex-pedreiro José Joaquim, 54 anos, traz do outro lado da fronteira pelo menos 90% dos produtos comercializados em sua banca, a maior parte relógios e brinquedos. ‘‘Desde que comecei a emitir nota os produtos ficaram mais caros. Agora, terei que buscar mercadorias em São Paulo (para comprovar a origem)’’, disse Joaquim, que calcula um aumento na ordem de 15% no preço dos produtos.
P.J.S., 36 anos, que pediu para não ser identificado, tem na pirataria a única fonte de renda da sua família. Em sua barraca, repleta de CDs falsificados, é possível encontrar os últimos lançamentos, vendidos a R$ 5,00 cada, um quarto do valor de mercado de um original. Ele até emite nota, mas comprovar a origem é o principal problema. ‘‘Compro de um fornecedor (falsificador) daqui de Londrina mesmo’’, diz.
Outros dois ambulantes, que pediram para não serem identificados, acreditam que muitos não suportarão o excesso de tributos e a pouca margem de ganho e voltarão pra as ruas. Até para os consumidores acostumados a recorrer ao mercado clandestino, a nova situação dos camelôs é um desestímulo. ‘‘O camelô é a única alternativa viável de compra, agora não será tanto assim. Sempre vou às lojas, mas acabo comprando no camelódromo’’, disse a professora Maria do Carmo, 41 anos.
Mais apreensivos ainda estão os representantes dos 220 camelôs instalados na Avenida São Paulo. Embora 99% dos ambulantes, segundo o presidente da Organização Não-Governamental Canaã, Rogério Gonzalez, já tenha o Cadastro Nacional de Pessoa Jurídica (CNPJ), todos estão impedidos de emitir nota fiscal. ‘‘Só será possível emitir nota após a liberação do alvará da CMTU (Companhia Municipal de Trânsito e Urbanismo)’’, informou Gonzalez.
Na saída da sede da Justiça Federal de Londrina, onde encontrou-se com o procurador Regional da República, Mário Ferreira Leite, Gonzalez estava preocupado. Ele tentou em vão uma prorrogação do prazo estipulado pelo procurador, até que a situação com a CMTU seja definida.

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