A greve dos garis e coletores de lixo, apesar de ter durado apenas um dia, no início desta semana, em Londrina, colocou em evidência a importância de uma classe de trabalhadores que apesar de prestar serviços essenciais para a cidade ainda são pouco reconhecidos. Além de enfrentar sol, chuva, calor e frio para executar seus trabalhos, esses e outros profissionais ainda têm que conviver com o preconceito de parte da população.
Aos 60 anos, Luiz Caldeiro de Oliveira é responsável pela varrição de uma das principais vias da Zona Sul. Ele conta que acorda às 5 horas e às 5h50 já está em um dos dois ônibus que usa para cruzar a cidade no trecho entre a Zona Norte, onde mora, e chegar ao seu local de trabalho. Às sete horas em ponto o gari começa a varrer os quatro quilômetros que percorre diariamente para limpar os dois sentidos da Avenida Guilherme de Almeida, que tem início na Avenida Dez de Dezembro e termina no começo do Jardim União da Vitória.
Oliveira diz que aproveita a hora do almoço para descansar, mas que para isso ele tem que se alimentar com comida fria. ''Tenho apenas uma hora para almoçar. Se eu for procurar um lugar para esquentar minha marmita, não sobra tempo para o descanso. Então prefiro não aquecer a comida para poder cochilar um pouco embaixo de alguma árvore e ter força para recomeçar o trabalho à tarde, quando o sol é bem mais forte'', argumenta.
Mas engana-se quem pensa que Oliveira se envergonha ou reclama da profissão de gari, que exerce há 10 anos. ''Eu acho meu serviço muito digno. É claro que é cansativo e mal remunerado. A gente tem que enfrentar sol e chuva para trabalhar, mas não sinto vergonha do meu trabalho. O problema é o preconceito que a gente sofre. Pouca gente dá valor ao nosso esforço e muitos fingem que a gente não existe'', afirma Oliveira, ao lembrar que já trabalhou como agricultor e auxiliar de manutenção até ficar desempregado e assumir o posto de gari.

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