Apesar de aprovada, criação de conselhos não saiu do papel Silvana Leão De Londrina A nomeação de 10 novos conselheiros tutelares para Londrina, que deveria acontecer até este mês, provavelmente não será efetivada nas próximas semanas. A criação de mais dois conselhos tutelares foi sancionada em dezembro, pelo prefeito em exercício Renato Araújo (PPB). A aprovação foi feita a ‘‘toque de caixa’’, para que houvesse tempo hábil para a eleição dos conselheiros até março. Até agora, porém, o processo de escolha não foi iniciado. Antes da eleição, os candidatos devem submeter-se à prova escrita e depois disso é necessário prazo legal para a publicação dos editais. Tudo isto deve ser feito até o dia 31 de março, já que após esta data começa o processo eleitoral e todas as contratações ficam automaticamente suspensas até 2001. A secretária de Ação Social do município, Marisa Goettel do Nascimento, informou que já pediu à Secretaria de Recursos Humanos (RH) a criação de 10 cargos comissionados para que, caso haja a eleição, os cargos já existam. A responsabilidade, portanto, está com o RH da prefeitura. Marisa Goettel lembrou que o conselho tutelar não é subordinado à Ação Social e sim ao Ministério Público e poder Judiciário. ‘‘A única ligação com a secretaria é a natureza do trabalho desenvolvido’’, ressaltou. O conselheiro tutelar Julio Botelho lamenta a demora e diz que quem está perdendo são as crianças. ‘‘O tempo é curtíssimo e sabemos que a criação dos conselhos depende apenas da boa vontade das pessoas. Nossa expectativa era que no começo de março eles já estivessem funcionando.’’ Para Botelho, a criação de dois conselhos tutelares ainda não resolveria a demanda de Londrina. ‘‘A necessidade, na verdade, seria de um conselho para cada região (mais dois, portanto), viabilizando o atendimento regionalizado.’’ O conselheiro também afirma que só criar os conselhos não resolve. Na opinião dele, é preciso ainda ampliar a rede de serviços, como escolas, creches, casas-abrigo, programas de geração de renda e de promoção da família, entre outros. Botelho lembra que faz quatro anos que o Conselho Tutelar fecha o ano com 10 mil atendimentos. ‘‘Mas nem sempre conseguimos resolver os problemas.’’ Segundo ele a demanda é muito grande. ‘‘Já estamos fazendo o agendamento para abril.’’ A Folha vem procurando o secretário de Recursos Humanos, Marcos Colli, para explicar a demora na criação dos novos cargos de conselheiros desde segunda-feira. Ontem, pela manhã, Colli disse que verificaria a situação e depois entraria em contato com a reportagem, mas não retornou o telefonema.