Apesar das dificuldades, HU conquista população
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quinta-feira, 10 de maio de 2001
Lucinéia Parra 
Uma cena curiosa no corredor do Pronto Atendimento (PA) do Hospital Universitário (HU) de Maringá revela que, apesar de todas as dificuldades de atendimento que enfrenta, é o hospital preferido da população. Numa manhã de domingo, uma enfermeira, com uma radiografia na mão, chamava por uma paciente que aguardava por uma vaga de internação no corredor do PA. Ao identificar a paciente, a enfermeira disse em alto e bom som que a Central de Leitos havia encontrado uma vaga para ela em outro hospital. Imediatamente, sem pestanejar, a paciente respondeu que não iria para outro lugar.
Sem conseguir convencer a paciente, a enfermeira deixou o corredor do PA e voltou para o interior do HU com a radiografia na mão. Não demorou 10 minutos, outra enfermeira, com a mesma radiografia, chamava a mesma paciente. O fato se repetiu, com a negativa da paciente em ser transferida. Uma terceira enfermeira voltou e desta vez insistiu que a paciente teria que aceitar a vaga no outro hospital sob pena de não receber nenhum tipo de atendimento, já que não havia vaga no HU. A ameaça não adiantou. A senhora, que recebia soro em uma cadeira improvisada no corredor do PA, bateu o pé e disse que se não tivesse outro jeito, voltaria para casa e retornaria no dia seguinte.
Enquanto insistia em ficar no HU, ainda que em condições precárias, a mulher era incentivada por outras pessoas que aguardavam atendimento no corredor do PA. Isso mesmo, dizia uma outra senhora, apoiado por um jovem rapaz que havia machucado o pé. Na opinião deles, o HU é o melhor hospital de Maringá e a paciente deveria insistir em continuar ali. Aqui a gente é bem atendida e não cobram da gente o remédio que é usado, justificou a mulher.
O bom atendimento relatado pela paciente pode surpreender muita gente, especialmente porque o HU já foi tema de diversas reportagens por causa das dificuldades que enfrenta para atender à superdemanda. Fotos e imagens de pacientes sobre macas nos corredores do hospital esperando por vagas nos leitos de internação foram divulgadas diversas vezes, revelando o caos da saúde pública em Maringá. O principal problema, entretanto, é a falta de estrutura física do HU.
Com apenas 74 leitos, o Hospital Universitário de Maringá não dá conta de atender aos pacientes locais e de municípios da região. Nem mesmo a limitação de horário para atendimento de urgência e emergência o HU só atende a partir das 19 horas é suficiente para inibir a procura. É sabido, por exemplo, que muitos pacientes esperam o dia todo e só vão procurar atendimento médico à noite, no HU. Os pacientes que exigem atendimento no Hospital Universitário, com certeza conhecem outros serviços e as dificuldades que enfrentam fora dele. Por isso, não importa a demora no atendimento, a improvisação e a longa espera sobre macas deixadas em corredores frios e inadequados. O que vale mesmo, é uma vaga no HU.


