Durante a gestação, a expectativa é grande. Entre 95% e 98% das mulheres saem da maternidade com a intenção de dar ao seu bebê apenas o leite materno, mas a realidade é diferente. Pesquisa feita pelo Ministério da Saúde indica que, de cada 100 mulheres, apenas 30 continuam com a amamentação exclusiva no primeiro mês de vida. Ao final do quarto mês este número cai para 18; e no final do sexto mês para 7. O índice está bem longe do ideal da Organização Mundial de Saúde.
Entre as capitais, a ''campeã'' de amamentação exclusiva é Belém (PA), com período de 56 dias. Curitiba está na média nacional - 34,6 dias. A menor incidência está em Cuiabá (MT): apenas 5,1 dias. ''Amamentar é uma prática milenar, mas que sofreu um grande estrago entre 1900 e 1970 porque muitos povos passavam a considerar a prática não nobre. Todo mamífero amamenta sua cria, os humanos são os únicos que delegam esta função a outras espécies'', diz a enfermeira Márcia M. B. de Oliveira, coordenadora do Banco de Leite do Hospital Universitário (HU).
Na sua avaliação, a introdução do leite de vaca na dieta dos bebês deve ser uma exceção e não regra. Ela conta que entre os anos 1960 e 1970 foi promovido um ''desmame comerciogênito mundial'' pelas empresas multinacionais. ''Em qualquer país via-se propagandas de leite artificial, só que começou a aumentar muito a mortalidade infantil e, por isso, foi iniciado um movimento para reduzir esta taxa e implantar procedimentos mais éticos e firmes que começaram a cercear este tipo de propaganda'', lembra.
A enfermeira reforça que a opção pela amamentação é sempre da mãe, só que se isso não ocorrer, os dois - mãe e filho - saem perdendo. ''O leite materno é insubstituível'', reforça. É importante também que as mães saibam que o leite pode ser doado ao Banco de Leite. O produto atende bebês internados nas UTIs neonatais. O único requisito é ser uma pessoa saudável. Para retirar o leite a mãe deve prender o cabelo, colocar uma touca, lavar as mãos e utilizar um vidro esterelizado, fornecido pelo hospital.
O leite pode ser retirado depois da mamada do filho. No entanto, nos últimos meses as doações diminuíram pela metade. O banco fornece, em média, cerca de 300 litros por mês para cerca de 300 crianças. Em maio, por exemplo, só foram doados 200 litros. ''Tivemos ajuda do banco de Maringá e conseguimos suprir a demanda. O leite artificial não é bom para prematuros'', avalia Márcia. (F.M.)

Serviço:
Quem quiser ajudar pode ligar para o Banco de Leite do HU pelo (43) 3371-2390. O banco entrega os vidros esterelizados e faz a coleta.

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