São Paulo - As avós tinham razão quando diziam que criança tem de ir para a cama cedo - mesmo aquelas que podem dormir até tarde na manhã seguinte. Isso porque a melatonina, hormônio que regula o sono, começa a ser produzida com o entardecer e atinge seu pico por volta da meia-noite. Durante esse período, em que a curva de liberação é ascendente, o sono vem mais fácil e com mais qualidade.
''Se dormir após a meia-noite se torna um hábito desde criança, o custo na adolescência pode ser imenso'', diz a neuropediatra Márcia Pradella. Segundo ela, apenas 3% das pessoas possuem um distúrbio real no relógio biológico que as impede de dormir cedo mesmo quando necessário. ''O resto é mau hábito.''
Acostumada desde os 2 anos a esperar o pai chegar do trabalho para ir dormir - às 3 horas da manhã - Thaísa Mischiatti, de 19 anos, sofreu durante o ensino médio, quando foi obrigada a estudar de manhã. Mesmo agora, que não está estudando, ainda sente os reflexos. ''Está muito ruim porque não consigo dormir antes das 5 horas. Depois vou até 12h30, mas acordo com sono.''
Como todo mau hábito, a insônia comportamental pode ser revertida. Quanto mais tarde, mais difícil. ''Se o problema chega à idade adulta, geralmente, só com medicamentos se consegue regular o sono'', afirma Márcia.
Guerra
Algumas pessoas conseguem se adaptar e trocam, de fato, o dia pela noite sem qualquer repercussão. Outras passam a vida lutando contra seus hormônios. Vão dormir às 6 horas, quando o cortisol lhes diz que é hora de trabalhar, e à meia-noite estão em atividade máxima, quando a melatonina lhes diz que é hora de repousar.
''Ao longo dos anos, esse descompasso pode resultar em hipertensão e distúrbios metabólicos, como diabetes e obesidade'', diz Márcia. (K.T.)

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