Apenas 10% dos casos são denunciados, diz juíza
Nos primeiros dois meses de funcionamento da Vara Maria da Penha, os processos em tramitação já somam quase 1,2 mil De acordo com a juíza Zilda Romero, no período, foram aplicadas 192 medidas protetivas de urgência A maior parte dos casos dizem respeito a violência contra a mulher
Segundo ela, o número, apesar de alarmante, não condiz com a realidade ''Acreditamos que representem apenas 10% das situações'', disse O perfil dos agressores é variado A maior parte são dependentes de álcool ou drogas, incluindo maridos, filhos, pais e irmãos das vítimas
Há também uma boa parcela de agressores passionais, que não concordam com o rompimento do relacionamento e cometem os ataques, muitas vezes causando ferimentos graves A minoria perfaz o grupo de pessoas com antecedentes de violência, que inclusive respondem a processos
Apesar de não ter quantificada a porcentagem de situações que envolvem crimes contra a criança e o adolescente, Zilda afirmou que, nos últimos dois meses, surpreendeu-se com o volume e a gravidade das ocorrências A maior parte dos casos é de violência sexual cometida contra meninas por padrastos, tios, primos, pais, irmãos ou pessoas próximas A idade das vítimas varia, mas já houve atendimento de crianças entre 2 e 3 anos
A juíza afirmou que, nesses casos, o volume de denúncias também é menor que a realidade, até porque muitos agressores ameaçam as vítimas quando desconfiam que elas vão contar sobre os abusos A melhor forma de identificar os crimes é observar o comportamento das crianças, o que pode ser feito inclusive por professores
Segundo ela, outra dificuldade é que as mães demoram a perceber os abusos cometidos, muitas vezes, dentro das próprias casas ''Além disso, elas (as mães) tendem a defender o agressor quando ele é o próprio companheiro '' O rompimento do histórico de violência familiar também é dificultado pela dependência financeira e afetiva das mulheres ''Muitas acabam se sujeitando por falta de alternativas ''
Londrinense que se formou pela UEL e, depois de passar 20 anos fora de Londrina, voltou à cidade como juíza substituta e assumiu a titularidade da Vara Maria da Penha com o objetivo de realizar um trabalho que extrapola os limites do gabinete, Zilda Romero explicou que, mais que julgar, pretende levar informação e conscientização à comunidade ''Um dos objetos do trabalho é a prevenção, para evitar que novas agressões aconteçam Para isso, é preciso haver projetos'', disse





