As paredes do Colégio José de Anchieta, na Rua Riachuelo, na Área Central de Londrina, estão ganhando nova aparência. A pintura está sendo realizada por um grupo de oito apenados que prestam contas à Justiça nos fins de semana por meio de serviços à comunidade. Eles são condenados por delitos leves como dirigir sem habilitação, uso de entorpecentes ou furto.
Segundo Tadeu José Migoto, diretor do Patronato da Penitenciária de Londrina, este programa de ressocialização atinge casos de penas que vão de seis meses a quatro anos e pessoas dos regimes aberto e semiaberto, e comprovadamente permite um benefício ao condenado e à sociedade. ''Enquanto no regime fechado o índice de reincidência nos crimes é de 60% no de penas alternativas fica ente 1% e 2%'', afirma.
Migoto também cita o ganho econômico do programa para a sociedade. Cada um dos abrangidos pelo sistema de pena alternativa custa ao Estado R$ 50,00 por mês. No sistema fechado cada preso custa por mês R$ 1,5 mil. Marcos Aurélio da Silva Mota, policial militar encarregado de acompanhar os trabalhos na escola, afirma que a polícia está cumprindo o papel de coibir crimes e de ressocializar os apenados.
De acordo com Mota, no último ano cerca de 20 apenados prestaram serviço no Colégio José Anchieta. ''A construtora que fez a reforma deixou bastante entulho, que o grupo retirou'', relata. Além disso, construiu um muro e fez outros trabalhos.
O diretor do Patronato afirma que o programa de ressocialização envolve 120 instituições públicas ou assistenciais, sem fins lucrativos, como escolas, universidades, creches, instituições que abrigam idosos e associações de moradores.
Um dos apenados que ontem trabalhavam na escola foi condenado a prestar serviços à comunidade por dirigir sem habilitação. Entregador de água mineral, ele afirma que é melhor trabalhar na reforma de um prédio no fim de semana do que passar um período na prisão. ''É uma oportunidade para mim'', resume. Ele já cumpriu 380 das 1.150 horas que deve à Justiça.
O Patronato agora também atende convênio firmado entre a Secretaria Municipal de Saúde e a Comissão Municipal Antidrogas (Comad), que viabiliza as ações determinadas pela Lei Antidrogas (Lei 11343/06). A nova legislação estabelece que as pessoas que cometem delitos relacionados a drogas sejam penalizadas com advertência, prestação de serviços à comunidade ou tratamento.

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