Apelidos que vão além da identidade
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quinta-feira, 20 de agosto de 2009
Marian Trigueiros<BR> Reportagem Local 
Por alguma característica marcante, profissão ou semelhança com famosos, as pessoas recebem apelidos das mais variadas origens. Com o tempo, ganham tanta força que muitas passam a ser mais conhecidas por eles que pelo próprio nome. Há quem não goste, mas a maioria leva na brincadeira e tem até quem se beneficie da singularidade proporcionada pelo apelido.
Políticos, comerciantes e atletas são os alvos preferidos. Ganham notoriedade com apelidos diversos alguns até bizarros , que usam e abusam. Tanto que durante as campanhas eleitorais não é difícil encontrar santinhos que os exibem para chamar a atenção. Já os comerciantes aproveitam da situação para se destacar nos negócios. O fato é que quase ninguém escapa de um apelido, nem que seja um carinhoso, pronunciado em momentos íntimos.
Ainda na escola, o apelido veio para diferenciá-lo, lembra Bruno de Souza Bertelli, hoje com 25 anos. Quando tinha 12 anos, havia mais outros quatro Brunos na mesma turma do colégio. Para não ter problemas com nome, começaram a me chamar de Tucano, por causa do tamanho do meu nariz, comenta.
Segundo ele, o apelido pegou de tal maneira que teve que se acostumar e há três anos fez até uma homenagem. Eu já queria fazer uma tatuagem, mas não sabia o que desenhar. Um amigo me sugeriu uma ave, ou até mesmo um tucano. Gostei da ideia.
Muito conhecido na Prefeitura de Londrina, o funcionário público Eufrásio Valência ganhou o apelido de Mãozinha quando era adolescente. Entrei pela Guarda Mirim, em 1969. Na época, entregava carnês de pagamento de IPTU. Quando alguém me procurava, o pessoal dizia: Fala com o menino da mãozinha. Achei que com o tempo iriam esquecer. Que nada, o apelido pegou de jeito.
Com um problema de má formação em uma das mãos, diz que não se incomoda com o apelido. Sempre levei na esportiva. De certa forma, fiquei até meio famoso aqui na Prefei-tura, brinca.
O taxista Osvaldo Lino dos Santos é conhecido entre os trabalhadores do setor como Terrinha. Ele lembra que o apelido foi dado por um amigo do seu time de futebol. Ele espalhou para todo mundo que eu era profissional e inventou um apelido. Quando cheguei ao campo e viram que era tudo mentira, não teve jeito. Virei motivo de brincadeiras e o apelido pegou. Isso há 30 anos, conta. Em todo o lugar me chamam pelo apelido. Nem falo mais o meu nome.
Santos até lembra de uma situação inusitada. Quando renovei minha carteira de motorista, foram entregar na minha casa, mas eu não estava. Perguntaram aos vizinhos, só que ninguém sabia meu nome. Disseram que não era dali da região. Tive que buscar a carteira no Detran, conta, rindo da confusão.


