Mauricio Della Barba
De Londrina
A Associação Projeto de Educação do Assalariado Rural (Apeart) está passando por sua maior dificuldade desde que foi fundada, há seis anos. ‘‘Estamos sem verba desde março deste ano’’, disse o presidente da Apeart, Francisco Moreno. Em virtude disso, educadores, coordenadores e supervisores se reuniram ontem para decidir o futuro da Associação. ‘‘Vamos continuar dando as aulas para as turmas até o dia 20 de novembro. Mesmo sem dinheiro, não podemos abandonar toda essa gente logo agora’’, explicou Moreno. A Apeart também marcou para o dia 23 de setembro um Dia de Protesto.
‘‘Nossa intenção é sensibilizar a comunidade para o problema. Queremos mostrar que nosso trabalho é muito importante e não pode parar assim’’, disse o presidente da Apeart. ‘‘Trabalhar o ano inteiro sem receber um centavo sequer é uma tarefa muito difícil.’’
A associação, que está presente atualmente em 60 municípios do interior do Paraná, tem como principal objetivo a alfabetização de jovens e adultos que trabalham na área rural. A Apeart cumpre um papel importante na educação do Estado, em um setor onde o governo quase não tem atuação. Ao todo, cerca de 5 mil pessoas são alfabetizadas entre a 1ª e 4ª séries, graças aos educadores da Apeart.
O convênio com o Estado, que garantiu nos últimos seis anos o repasse de verbas para pagamento de educadores e cursos de capacitação, foi renovado em junho. A própria secretária de Educação, Alcyone Saliba, havia garantido que a situação da Apeart seria regularizada até o final deste mês. Até ontem, nenhuma verba havia sido liberada. A Folha tentou entrar em contato com a Secretaria de Educação, mas não foi possível obter respostas, pois com a morte do presidente da Assembléia Legislativa do Paraná, deputado Aníbal Khury (PFL), os trabalhos do governo foram suspensos por luto oficial.
O convênio assinado com o governo do Paraná prevê o repasse de 10 parcelas mensais de R$ 108 mil. O dinheiro serve para o pagamento e capacitação profissional dos educadores, que recebem entre R$ 150,00 a R$ 400,00 por mês. Sem receber salário desde março, alguns professores já desistiram do projeto da Apeart.
‘‘A maioria tem outro emprego e ainda participa da Apeart por puro idealismo’’, afirma Moreno. As principais dificuldades encontradas pelos educadores da Apeart são a falta de estrutura para as aulas (que são dadas em locais alternativos, como igrejas, quadras de esporte, barracões, etc), e a dificuldade de acesso (muitos locais são longínquos e não contam com transporte coletivo). ‘‘Quem tem carro, ainda tem que pagar a gasolina do bolso’’.

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