Aparição de morto numa fotografia divide opiniões
A imagem do corretor Olímpio José Rodrigues, morto em outubro de 1993, que aparece em fotografia datada de dezembro de 98 (publicada na edição de ontem da Folha), durante casamento de seu filho, dividiu as opiniões de católicos, espíritas e evangélicos de Maringá.
A espírita Carmem Sartori Rocha, da Associação Espíríta de Maringá (Amem), explica que este tipo de fenômeno é assunto tratado em vastas obras de autores brasileiros e europeus e, principalmente, de Allan Kardec, o criador da doutrina do Espiritismo.
A doutrina kardecista mostra que o espírito possui um corpo perispiritual, ou massa fluídica, que liga o espírito ao corpo material. Quando a pessoa desencarna (ou morre), ela fica com este corpo perispiritual. Essa massa fluídica, de acordo com a evolução do espírito, vai ficando cada vez mais sutil, até desaperecer, o que só com os espíritos puros.
No caso de Olímpio, continua Carmem, como ele ainda não seria espírito evoluído e já reencarnou diversas vezes, a sua massa fluídica o permite dar a ela a forma que seu pensamento desejar. Como julgou importante estar ao lado do filho num momento importante de sua vida prefeiiu dar ao seu perispírito a forma da última encarnação.
Já a Igreja Católica não tem nenhuma explicação natural ou filosófica para o fenômeno registrado na fotografia de Olímpio. O padre Geraldo Schneider, da Paróquia Cristo Ressuscitado, de Maringá, afirma categoricamente que a foto é composição, é montagem que as pessoas fazem para veneração. Não aceitamos explicações mediúnicas. Quem morre é julgado e, ou ganha a vida eterna, ou é perdição para sempre. Outro padre, Francisco Rodl, da Catedral de Maringá, disse que houve uma falha técnica no caso desta foto. Quem faleceu, está morto, não volta mais. Ou está com Deus ou está no inferno.
A maioria dos evangélicos consideram a fotografia como obra do Demônio. O pastor Valdemar Ribeiro, 53 anos, da Igreja Assembléia de Deus, disse à Folha que bíblicamente, ninguém volta. O Diabo se utilizou daquele momento do casamento para causar confusão. É uma armadilha do Diabo ou de seus demônios. É uma obra maligna.Negativo cedido pela famíliaA imagem de Olímpio, morto em 93, é uma farsa para padres e pastoresMarccio W. Varella





