Aparelhos de pressão têm problemas
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terça-feira, 08 de dezembro de 1998
Cláudio Osti 
Quem tem o hábito de medir a pressão arterial para saber se a saúde vai bem deve tomar alguns cuidados. Nem todos os aparelhos (esfigmomanômetro) usados pelas pessoas são confiáveis. É o que está descobrindo o Instituto de Pesos e Medidas de Londrina (Ipem). Ontem o instituto começou a fazer a aferição dos equipamentos usados na rede pública de saúde de Londrina e região. O resultado inicial é preocupante. Alguns aparelhos não passaram nem pela primeira fase dos testes que é a mais simples. De um lote de sete verificados no início da manhã, três foram descartados pois apresentavam vazamentos na braçadeira, na bomba ou na mangueira ou ainda o vidro do manômetro (marcador) estava trincado ou quebrado.
Os aparelhos passam por diversos testes. No último, são colocados em uma balança de pressão alemã. O equipamento mede com precisão se o manômetro está calibrado. A medida usada para a calibragem é em milímetro de mercúrio. A tolerância máxima é de seis milímetros de erro, acima disso o aparelho é reprovado.Qualquer alteração pode levar o médico a fazer um diagnóstico errado, diz o agente fiscal metrológico, Marcelo Trautwein.
O médico e professor de Nefrologia da Universidade Estadual de Londrina, Abel Esteves Soares, confirma que os riscos são muito grandes. Se a pessoa tem pressão normal e o aparelho diz que ela está com pressão alta, não há tantos problemas já que o paciente é encaminhado para um novo exame. O risco são os aparelhos mostrarem resultados falsos em medições em hipertensos. Os hipertensos têm quatro vezes mais possibilidades de sofrer infartes, além de problemas renais, na retina ou acidente vascular cerebral (derrame) e uma medição errada pode trazer sérios riscos, diz Soares.
O médico faz um alerta também sobre a compra de aparelhos para medir pressão em casa. Esses aparelhos, diz ele, descalibram muito rapidamente e é necessário que se faça, pelo menos uma vez por ano, a calibragem.
Em Maringá, informa Trautwein, também foi feita a verificação pelo Ipem de aparelhos da rede pública de saúde. Quarenta por cento não passaram nos testes. Em Londrina, o aparelho para a aferição ficará no Ipem até sexta-feira depois retornará a Curitiba. O objetivo é analisar perto de 350 aparelhos. Trautwein orienta as pessoa a verificar se o aparelho está em perfeitas condições e se tem o selo de aferição do Ipem.


