Com os olhos bem abertos para evitar serem pegos durante os furtos, criminosos invadiram um consultório do Sistema de Assistência à Saúde (SAS) de Londrina e um hospital oftalmológico e furtaram equipamentos que estão fazendo falta a centenas de pacientes. Os furtos aconteceram no início do mês mas até agora nenhum suspeito foi identificado nem preso.
O SAS é um sistema mantido pelo Governo do Estado que atende exclusivamente servidores públicos. Só a regional de Londrina, onde a administração cabe à Irmandade Santa Casa, atende 64 mil trabalhadores de 66 municípios diferentes. Muitos destes servidores procuraram o serviço para fazer exames de visão que dependiam fundamentalmente de um aparelho chamado de refrator - composto por diferentes lentes usado pelo médico para definir qual o problema do paciente -, que foi furtado de um consultório em pleno horário de funcionamento. Adquirido pelo governo em 1970, o aparelho era considerado antigo, de pouco valor comercial, mas ainda assim foi avaliado entre R$ 5 mil e R$ 7 mil.
O gerente operacional do SAS Londrina, Antônio Carlos Ribeiro, contou que no dia 6 de maio, o oftalmologista que usava o aparelho trabalhou normalmente pela manhã, saiu para o almoço e ao retornar no início da tarde encontrou a porta da sala arrombada. Ao entrar, percebeu que o refrator havia sido furtado.
Segundo o gerente, aparentemente quem furtou tinha conhecimento suficiente sobre a aparelhagem e só levou a parte mais valiosa. A suspeita é de que ele já teria um provável receptor. ''Quem furtou sabia o que queria e o que estava fazendo porque desmontou o equipamento e, provavelmente, o escondeu em alguma bolsa'', comentou Ribeiro. O criminoso se valeu da grande circulação de pessoas no prédio - cerca de 1,2 mil por dia - para entrar e sair sem ser notado.
O furto prejudicou pelo menos 60 pacientes que eram consultados diariamente pelo SAS. O gerente garantiu, porém, que nenhum servidor ficou sem atendimento. As consultas agendadas foram remarcadas mas os pacientes estão sendo atendidos em clínicas particulares.
Mas nem assim, os pacientes conseguem ter a garantia de que serão atendidos. Isto porque criminosos também já agiram contra um hospital oftalmológico a algumas quadras do SAS, e furtaram dois aparelhos do mesmo tipo mas mais modernos. Câmeras de vigilância gravaram o crime.
Nos dois casos, a Polícia Civil ainda não conseguiu identificar nenhum suspeito nem recuperar os equipamentos. A FOLHA entrou em contato com o 1º Distrito Policial, responsável pela região onde os crimes foram praticados, mas o delegado titular, José Arnaldo Peron, estava de folga ontem.

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