O Hospital Cajuru adotou uma nova técnica que substitui a biópsia normal para os transplantados do coração. Com a vantagem de evitar o internamento, garantir diagnóstico rápido e sobrevida maior do paciente, a nova técnica se resume a um pequeno aparelho. O método foi desenvolvido há um ano pelas universidades de Kratz, na Áustria, e Erlang, na Alemanha, e está sendo usado no País pela equipe do médico Paulo Roberto Brofman, da PUC-PR.
Do total de 78 pacientes no mundo, cinco são de Curitiba e estão usando o novo aparelho, com sucesso. O custo é equivalente ao do marcapasso - entre R$ 3 mil a R$ 5 mil, devendo por isso ser adotado dentro de seis meses como procedimento de rotina pelo Sistema Único de Saúde (SUS), diz Brofman.
Por ser um método simples e rápido, ele diz que será possível atender a todos os pacientes - são hoje no Brasil cerca de cem transplantados, sendo o Paraná o terceiro Estado que mais realiza transplantes do coração com dois a três casos por mês.
Pelo novo sistema o paciente passa por uma cirurgia para instalação, entre a pele e o músculo, de um pequeno aparelho de 20 gramas, chamado Physios CTM. O aparelho, com microcomputador, tem fios em contato com os músculos do coração. O médico aproxima um sensor junto ao Physios CTM para fazer a leitura do potencial elétrico do coração. Esse sinal é gravado em disquete e mandado para a universidade de Kratz. Toda a biópsia dura 15 minutos e em seis horas o Cajuru recebe via Internet o resultado.
A rejeição do novo órgão é o principal problema dos transplantados, diz o médico. Ele lembra que 85% dos pacientes têm sobrevida ao final dos três anos de transplantes. Ao final de cinco anos, 65% dos transplantados continuam vivos. ‘‘Com o novo sistema é possível agir com maior rapidez, o que aumenta a sobrevida do paciente’’, diz Brofman, que chefia a equipe, escolhida pelas universidades da Áustria e Alemanha para introduzir o método na América Latina.
Na biópsia normal, o paciente precisa ser internado por dois dias. É injetado um tipo de pinça pelo pescoço e tirado amostras de substâncias do coração. O resultado do exame sai em uma semana. A biópsia é feita uma vez por semana, durante o primeiro mês de transplante, duas vezes no segundo mês e a partir do terceiro mês uma vez a cada mês. ‘‘O novo procedimento deixa de ser um incômodo ao paciente’’, diz Brofman.

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